´Mantega terá de se despir da emoção no CMN´, afirma Furlan

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse, nesta quinta-feira, que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, como presidente do Conselho Monetário Nacional (CMN) "vai precisar se despir da emoção anterior e se colocar pragmaticamente como um árbitro de uma decisão estratégica que dê conforto às expectativas do mercado (que é a redução da Taxa de Juros a Longo Prazo - TJLP), mas que seja coerente com uma política econômica geral do governo".Furlan, que participou nesta quinta do encerramento da Conferência Internacional sobre Financiamento e Empreendedorismo das Pequenas e Médias empresas, promovido pela OCDE, disse que tem a expectativa de que haja uma continuidade da queda da TJLP na reunião da próxima sexta-feira do CMN.Mantega, por sua vez, se esquivou de dar qualquer detalhe sobre seu voto no CMN, que definirá a TJLP para abril, maio e junho. "Não posso adiantar os votos do CMN. Agora estou em outra posição", explicou. Perguntado se a TJLP poderia cair para 7%, o novo ministro da Fazenda reiterou. "Quando estava no Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), era presidente do BNDES e cuidava de determinadas coisas. Agora, como ministro da Fazenda, cuido de outras questões". ExpectativaEm relação à expectativa do mercado de que haverá uma queda mais acelerada da taxa básica de juros (Selic, atualmente em 16,5% ao ano) em função do discurso de Mantega na solenidade de posse, Furlan disse que o mais relevante que o discurso do ministro "é a orientação geral da economia, dada pelo presidente Lula"."Dizia Mário Henrique Simonsen (economista) que se compararmos um ministério com um time de futebol, o ministro da Fazenda teria a camisa 1, de goleiro. E ele precisaria ter dois cuidados: não tomar gol dos adversários e de vez em quando cuidar para não levar gol contra", comparou. Segundo ele, a posição de ministro da Fazenda é uma posição particular. "Eu tenho certeza que o Guido está preparado, fazendo uma reflexão para mudar o número da sua camisa para a de número 1", disse, acrescentando que a equipe do Ministério do Desenvolvimento continuará jogando como atacante. Ao ser questionado se para ganhar o jogo não seria necessário reduzir os juros, Furlan respondeu: "para ganhar o jogo a primeira coisa é não deixar fazer na nossa meta". Mudança de orientaçõesFurlan afirmou ainda que a troca do presidente do BNDES não mudará as orientações da instituição financeira. Ele disse que já teve duas conversas com o novo presidente, Demian Fiocca, e que terá uma nova conversa no início da próxima semana, para tratar de assuntos mais operacionais."O BNDES está alinhado com o programa brasileiro de política industrial, tecnológica e de comércio exterior. Além dos programas inovadores já lançados e da redução do spread (diferença entre o custo de captação de recursos e o custo da taxa de empréstimos, ou a diferença entre o preço de compra e o preço de venda de um ativo) anunciado há cerca de um mês, está em gestação no banco uma série de programas para pequenos empreendedores na área de inovação e em áreas estratégicas", afirmou.PerfilO ministro do Desenvolvimento, no entanto, discordou da avaliação de que a escolha de um técnico para presidir o BNDES abriria mais espaço para que ele pudesse imprimir o seu perfil na instituição. "O período do Guido Mantega no BNDES foi afinado com as políticas maiores do presidente Lula. Nós, durante esse período, não tivemos nenhuma divergência, até porque Mantega, enquanto ministro do Planejamento, foi um dos protagonistas dos programas de política de governo", explicou. "Pelo contrário, nós passamos agora a ter mais um ministério aliado na pessoa do ministro Mantega, para levar adiante programas de desenvolvimento e inovação tecnológica e para a inserção brasileira no comércio internacional", concluiu.Este texto foi alterado às 15h31, com no nome grafado na linha fina. O correto é Mantega, e não Furlan, como foi escrito

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