Mantega vai à Argentina discutir uso de moedas no comércio

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, desembarcou nesta quinta-feira, 8, em Buenos Aires e seguiu direto para a residência da Embaixada do Brasil. Às 20 horas, Mantega receberia o presidente do Banco Central da Argentina, Martín Redrado, para um encontro prévio ao que terá com a ministra de Economia, Felisa Miceli, para discutir sobre a eliminação do dólar nas transações bilaterais.Segundo as assessorias de imprensa do Banco Central e da Embaixada, a reunião de Redrado e Mantega "é informal" e não haverá declarações à imprensa. Na sexta, no entanto, Mantega vai dar uma entrevista coletiva à imprensa logo após o encontro que terá com Miceli, por volta do meio-dia. O formato da reunião será igual ao do ano passado, em julho, quando Mantega fez a primeira longa discussão com Miceli sobre a utilização do real e do peso no comércio bilateral.A primeira hora de conversa entre os ministros seria privada, segundo informou uma fonte do ministério de Economia. Depois a reunião seria ampliada com a participação do secretário de Finanças da Argentina, Sergio Chodos, e a subsecretária de Coordenação Econômica, Sílvia Canela, além do diretor do Banco Central, Arnaldo Bocco.Do lado brasileiro, estariam os subsecretários de Assuntos Internacionais, Luiz Malin, e de Política Econômica, Julio Almeida, e o presidente do BNDES, Demian Fiocca.A fonte disse que o novo sistema de clearing vai estrear, em caráter experimental, em junho próximo. A idéia é provar o sistema até o fim do ano para que entre em vigor a partir de 2008.A utilização do peso e do real diretamente, sem passar pelo dólar, pretende reduzir os custos das empresas que exportam e importam produtos entre um país e outro. No BC argentino, os técnicos afirmam que o spread para as empresas terá uma importante redução, podendo economizar por dia, cerca de US$80 para operações entre US$ 15 mil e US$ 25 mil, por exemplo.O exercício foi feito com base na média das operações que são realizadas diariamente pelas pequenas e médias empresas. O valor da economia pode não ser expressivo para as grandes empresas, mas é importante para as pequenas. O objetivo de redução de custos destas operações visa, principalmente, beneficiar as pequenas e médias empresas para que possam expandir seus negócios.Segundo a fonte, Miceli vai insistir com a idéia de criar um Banco do Sul, proposta pelos presidentes venezuelano, Hugo Chávez, e argentino, Néstor Kirchner. Embora o Brasil seja reticente à essa proposta, a ministra quer convencer Mantega de integrar o projeto. Outro assunto da agenda de discussões é sobre o fundo de convergência estrutural do Mercosul.

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