Mantega vê ''ajuste sazonal''

Ministro diz que economia enfrenta ?pequena desaceleração?, mas retomará fôlego no 2.º semestre

Célia Froufe, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2008 | 00h00

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu ontem que a economia brasileira está enfrentando uma "pequena desaceleração". "No ano passado, crescemos 5,4% e agora estamos sentindo uma pequena desaceleração, que, para mim, é um ajuste sazonal", avaliou. A projeção do governo é de que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) este ano seja de 5%. "A economia cresce, diminuiu um pouquinho para ganhar fôlego e volta a crescer", explicou. Ele ressaltou que na virada do ano o crescimento do País estava em torno de 6% e previu que, após a atual desaceleração, haverá uma retomada a partir da metade do ano.Entre os motivos que levam à atual desaceleração, Mantega citou a parada natural para a retomada de fôlego; a alta da inflação mundial; e a elevação dos juros de longo prazo que, segundo ele, pode ser vista como resultado da crise financeira internacional. "Hoje temos um crescimento mais qualitativo do que no passado porque é impulsionado pelo mercado interno e os investimentos", disse Mantega, em palestra a cerca de 200 empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).Mantega afirmou, ainda, que é um equívoco dizer que o Brasil tem um problema fiscal. Ele ressaltou que os resultados do setor público vistos neste ano até agora são muito positivos e o resultado de abril "vai na mesma direção". Mantega ressaltou que o superávit primário feito pelo governo tem sido maior do que a meta de 3,8% do PIB. "No começo do ano, faz-se um pouco mais de economia, mas o superávit de agora não é necessariamente o que será visto no fim do ano", ressaltou. Ele disse que o objetivo do governo é o de zerar o déficit nominal do setor público até 2010. "Recentemente, essa relação era de 3% e hoje é de 1,5% do PIB."O ministro também enfatizou que o objetivo mais importante da criação do Fundo Soberano do Brasil (FSB) é a questão fiscal. "Não precisamos chamar nem de fundo soberano. Poderíamos chamá-lo apenas de fundo fiscal", ressaltou.Segundo ele, as outras pernas que também compreendem o objetivo do fundo, como a do controle cambial e da atividade financeira, poderiam ser agregadas posteriomente. "O mais importante é que o fundo garante que faremos o primário no longo prazo."Indagado por um empresário se o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, seria contra a criação do fundo, ele foi taxativo: "O Meirelles não é contra, perguntem a ele." Para Mantega, a inflação é um problema que obviamente precisa ser combatido. "Mas não há um só instrumento para conter a inflação."O ministro exemplificou a afirmação citando medidas adotadas pelo governo recentemente, como a redução da Cide no preço da gasolina e da alíquota de importação de trigo. Ele destacou que nos últimos anos o Brasil cumpriu a meta de inflação, usando ou não as margens de tolerância. "É melhor não usá-las, mas às vezes se usa."

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