Mantega volta a cobrar queda da taxa de juros

Para garantir o crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que é preciso mais redução das taxas de juros e novas medidas fiscais anticíclicas. "Ter 1% de crescimento neste ano não será tarefa fácil, mas é um desafio possível", afirmou ao comentar a retração da economia no primeiro trimestre.Ao defender queda dos juros, Mantega coloca mais pressão sobre o Banco Central, que decide hoje a taxa Selic dos próximos 45 dias. O ministro disse que a retomada do crédito e a redução dos spreads bancários (diferença entre a taxa de captação dos recursos e a cobrada dos clientes) ainda não atingiram o nível ideal para a economia voltar a crescer. O presidente do BC, Henrique Meirelles, evitou contato com jornalistas. Por meio da assessoria, afirmou que, apesar da queda, o PIB evidencia a resistência da economia brasileira. Para ele, bons fundamentos ficam evidentes com a expansão do consumo das famílias e com o comportamento do setor de serviços. "Essa resistência demonstrada pela economia brasileira, juntamente com os investimentos realizados durante os anos de estabilização, cria espaço para uma retomada do crescimento em bases sustentáveis."O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, também defendeu queda no juro, mas disse que o BC não se sentirá pressionado a manter o ritmo de corte de 1 ponto porcentual na Selic, adotado na reunião passada. Bernardo disse que o ideal seria o governo Lula encerrar o mandato com uma taxa real de juros de 4% ao ano. "Cinco por cento é um avanço em relação ao que tínhamos. Mas na atual conjuntura, ainda pode ser considerada alta." Mantega e Bernardo consideraram a queda de 1,8% do PIB um resultado melhor do que as projeções indicavam. "Somando-se ao fato de que temos vários indicadores positivos posteriores a março, isso confirma a tese do governo de que vamos ter aqui uma crise muito mais curta que em outros países", avaliou Bernardo. RENATA VERÍSSIMO, FABIO GRANER, FERNANDO NAKAGAWA, L.G. E TÂNIA MONTEIRO

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