Kazuhiro Nogi/AFP
Kazuhiro Nogi/AFP

Bolsas da Europa e da Ásia despencam com instabilidade por conta do coronavírus

Após semana de caos econômico mundial, tendência dos mercados é que cenário de volatilidade se mantenha nesta segunda

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 06h42
Atualizado 16 de março de 2020 | 08h51

Mantendo o ritmo de instabilidade da última semana nos mercados financeiros mundiais, as Bolsas da Europa e da Ásia despencam nesta segunda-feira, 16. Os temores sobre os impactos do novo coronavírus, causador do Covid-19, nas economias ao redor do mundo, derrubam índices em ambos os continentes, mesmo com medidas de estímulo anunciadas. 

Após o fechamento dos mercados no oriente, a maior queda na Ásia foi na Bolsa de Taiwan, com o índice TWI. Por lá, a baixa foi de 4,06% em relação ao fechamento anterior. A segunda maior foi em Hong Kong, com (-4,03%), seguido de China, (-3,40), Coreia do Sul (-3,19%) e Japão (-2,46%). No continente asiático, o único mercado a fechar em alta, mesmo que de forma muito tímida, foi o da Tailândia, com 0,06%. Na Oceania, a Austrália teve o pior resultado do oriente do mundo, despencando 9,52%. 

Na Europa, o cenário é ainda mais caótico, com recuos próximos da faixa dos 10%. Na sexta-feira, 13, a Organização Mundial de Saúde (OMS), declarou que o velho continente é o novo epicentro da doença, causada pelo novo coronavírus, iniciada na China, na cidade de Wuhan, província de Hubei

Nos primeiros momentos de negociação desta segunda, a Bolsa com o pior desempenho é a da Grécia, com queda de 11,44%, seguida de França (-9,89%), Bélgica (-9,12%) e Holanda (-8,53%). Com quedas profundas, mas um pouco menos acentuadas temos Itália (-7,94%), Espanha (-7,78%), Alemanha (-7,45%), Inglaterra (-6,77%), Portugal ( - 6,31%) e Suécia (-6,11%). O índice que mede os ativos de toda a Europa, o pan-europeu Stoxx 600, caiu para o menor nível desde novembro de 2012, após um recuo de 8,2%, na manhã desta segunda. 

Petróleo 

O petróleo, que desde o começo da semana passada vem sofrendo quedas nos valores após uma "guerra de preços" entre Rússia e Arábia Saudita, está, nesta segunda, em queda relevante. O índice WTI, para abril, registra, às 05h44, 5,17% de queda, a US$ 30,09 o preço do barril. O Brent, para maio, tem recuo ainda maior, no mesmo horário, a (-7,68%), cotado a US$ 31,25. 

Medidas econômicas 

Para tentar combater toda essa volatilidade que atinge os mercados, o Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês), Banco Central dos Estados Unidos, divulgou ações. A primeira delas foi um corte na taxa de juros básica do país, para a faixa entre 0,25% e 0%. Esta medida, dentre outras possibilidades, pode ajudar a desafogar empresas, ao tomarem financiamentos, por exemplo, já que as taxas para isso ficam mais baixas quando os juros da economia caem. 

A segunda medida anunciada pelo Fed foi um novo programa de compra de ativos, que vinha sendo esperado pelo mercado para ser anunciado somente na quarta-feira, quando termina sua reunião de política monetária deste mês. O Fed se comprometeu a comprar pelo menos US$ 500 bilhões em títulos do Tesouro e em pelo menos US$ 200 bilhões em hipotecas, de acordo com comunicado na tarde deste domingo. "O Federal Reserve está preparado para usar toda a sua extensão de ferramentas para apoiar o fluxo de crédito às famílias e empresários", ressalta o comunicado. O Fed também reduziu a zero as taxas dos depósitos compulsórios para os bancos americanos. 

Além de tudo isso, bancos centrais de todo o mundo também comunicaram ao mercado medidas conjuntas. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), o Banco Central Europeu (BCE), o Banco do Canadá, o Banco do Japão e o Banco Nacional da Suíça divulgaram comunicado conjunto sobre a operação, que será feita por meio de um arranjo via programa de swaps. 

Mais uma medida anunciada, agora, na manhã desta segunda, foi a redução da taxa básica de juros, em 0,50 ponto porcentual, por parte do Banco Central da Coreia do Sul. Com isso, foi atingida a mínima histórica, de 0,75%. O corte de juros do BoK - como é conhecido o BC sul-coreano - veio após a convocação de uma reunião emergencial. O Banco Central japonês também anunciou medidas em reação à pandemia. A primeira foi dobrar sua meta anual para compras de fundos de índice (ETFs) no mercado acionário, para 12 trilhões de ienes, mas não houve redução de juros. Posteriormente, o presidente do BC japonês, Haruhiko Kuroda, admitiu a possibilidade de cortar a taxa de depósito, que está em -0,1% há cerca de quatro anos. O BoJ antecipou sua reunião, que estava originalmente programada para os dias 18 e 19. /SERGIO CALDAS, ALTAMIRO SILVA JUNIOR, MATEUS FAGUNDES E FELIPE SIQUEIRA / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS 

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