Manter dívidas e dinheiro aplicado não é uma boa prática financeira

O senhor já mencionou que planos de previdência privada VGBL não são de um banco. São produtos securitários administrados por uma seguradora e, portanto, sujeitos a risco. Tenho 86 anos e tudo que economizei para a sobrevivência da minha família está aplicado em VGBL. Existe um banco que seja ele mesmo segurador e responsável pelo VGBL?

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2012 | 02h06

Não, os bancos não são responsáveis pelos planos de previdência. Hoje, o que a maioria das pessoas conhece como banco é, na verdade, um banco múltiplo, que é uma instituição financeira (pública ou privada) que exerce diversas atividades financeiras (comercial, investimento e/ou desenvolvimento, crédito imobiliário, arrendamento mercantil e crédito, financiamento e investimento). Alguns bancos são constituídos por apenas uma dessas carteiras, mas, para a instituição poder operar como banco múltiplo, deve ser constituída com, no mínimo, duas carteiras, sendo uma delas, obrigatoriamente, comercial ou de investimento. Os bancos, porém, não podem exercer as funções de seguradoras. O que ocorre, na prática, é que os grandes conglomerados financeiros também possuem seguradoras, mas que são operadas independentemente do banco. Quem pode manter e comercializar planos de previdência são as seguradoras em razão do tipo de estrutura, operação e legislação envolvidos nesses produtos.

Penso em comprar um imóvel de R$ 500 mil, do qual financiarei R$ 200 mil. Ouvi dizer que, como as taxas de juros para habitação estão mais baixas, em vez de usar o dinheiro que está aplicado (no meu caso R$ 300 mil), compensa financiar um valor maior. Ou seja, poderia financiar R$ 400 mil e usaria somente R$ 100 mil de recursos próprios. Essa troca compensa?

Pagar juros nunca é algo bom. Manter dívidas e ao mesmo tempo ter dinheiro aplicado não é uma boa prática financeira. Isso porque usualmente a taxa paga é maior que a taxa recebida pelo dinheiro aplicado. Além do mais, devemos entender que, hoje em dia, os juros estão baixos em relação ao nosso histórico, mas as taxas ainda são altas em comparação a outros mercados e, principalmente, para o nosso bolso. De outro lado, sempre é adequado manter alguma reserva de dinheiro para fazer frente a emergências. O primeiro cuidado que você deve ter é entrar em simuladores dos bancos e verificar o valor da prestação no caso de financiar um montante maior do que o previsto inicialmente. Verifique se essa prestação cabe no seu bolso. Ao mesmo tempo, verifique em seu orçamento familiar qual seria a reserva financeira que lhe deixaria confortável. Com esses cuidados, você poderá equilibrar suas contas e saber qual o valor ideal para tomar emprestado.

Tenho um plano de previdência antigo com saldo de aproximadamente R$ 800 mil e ainda deposito em torno de R$ 3 mil todo mês. Pago taxa de administração de 3% e taxa de carregamento de 5% todo mês. A tábua atuarial, por ser antiga, me garante uma renda vitalícia de cerca de R$ 5.600 por mês contra uma renda de aproximadamente R$ 1.800 por mês se eu mudar de plano. O banco não quer alterar a taxa de administração. O que você me sugere?

O seu caso merece uma análise mais cuidadosa. Primeiro, vale a pena verificar as condições efetivas do contrato atual porque não são mais oferecidos planos de previdência com renda garantida, ou seja, benefício definido. Assim, devemos ter muito cuidado em sair de planos com essa condição. De outro lado, os custos do seu plano são muito altos. Taxa de administração de 3% ao ano e taxa de carregamento de 5% são custos que reduzem muito a rentabilidade líquida obtida (ver gráfico). A portabilidade é possível, mas você somente encontrará planos alternativos sem o benefício definido. Assim, a troca seria em condições diferentes. Retirar os recursos, ou parte desses, do plano atual para aplicar em outros tipos de investimento pode ser uma opção, mas se você tiver tempo e conhecimento para montar sua própria carteira. Uma saída é deixar de realizar novos aportes no plano atual e buscar no mercado uma alternativa de investimento que atenda aos seus interesses. Mas, para isso, faça uma comparação rigorosa entre as condições e a rentabilidade.

CORREÇÃO

Em 12 de novembro, foi dito que os títulos do Tesouro Direto não entram em espólio. Na verdade, são os planos de previdência.

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