Manter Selic compromete crescimento de 1,5%, diz Sobeet

A Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet) acredita que o crescimento econômico de 1,5% estimado para este ano pode ficar comprometido se o governo insistir em manter, na próxima reunião do Copom, nos dias 17 e 18 deste mês, a Selic, taxa básica de juros da economia, em 26,5% ao ano. "Se o Banco Central tiver uma postura pragmática, vai reduzir a Selic. Mas, se insistir em olhar apenas a meta de inflação de 8,5% para este ano vai mantê-la e isso é será muito ruim para o País ", disse Antônio Corrêa de Lacerda, presidente da Sobeet. Ele acredita ser necessário um "olhar" mais para o futuro, para os próximos 12 meses ou 24 meses e não apenas para a meta deste ano. "Se olhar apenas com essa fixação dos 8,5% para a inflação deste ano, talvez não tenha mesmo espaço para reduzir os juros", cutucou o economista. Por isso, acrescentou Lacerda em entrevista à Agência Estado, acredito que a decisão para reduzir a Selic é política, embora tenha cunho técnico. Para ele, bater o martelo sobre o patamar dos juros não é puramente decisão técnica, na medida em que os responsáveis têm uma opção a fazer. Nessa discussão toda sobre "reduz, não reduz juros", que tomou conta do País, a pressão vencedora tem sido a do mercado financeiro. Distorção na taxa de câmbioSó que, explicou Lacerda, um dos efeitos da distorção provocada pela taxa excessivamente alta é a valorização do câmbio. "Ao premiar demais o capital financeiro, (o BC) está também premiando o capital volátil. Isso aumenta a entrada de dólares e pressiona o câmbio para baixo, que, por sua vez, é péssimo para as exportações, para os projetos de substituição de importações e para atrair investimento direto", alertou Lacerda. Ele explicou que toda essa engrenagem financeira provocou, certamente, uma valorização artificial do câmbio. Fora isso, acrescentou o presidente da Sobeet, está gerando uma expectativa de desvalorização (do real) no futuro. Lacerda comentou, sem citar nomes, que muitas as empresas estão preferindo adiar seus investimentos com medo de uma desvalorização futura. "Grande parte da retração desses investimentos está associada à taxa excessivamente valorizada."

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