Mantida tendência, emprego no 4º trimestre deve ser negativo

O Nível de Emprego Regional verificado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), de 0,8% em agosto ante julho, está estagnado "num número baixo". A avaliação foi feita hoje pelo diretor do Departamento Econômico do Ciesp, Boris Tabacof, que acrescentou que, se mantida a tendência atual de condução pelo governo federal da política econômica, o emprego na indústria do Estado de São Paulo deverá fechar o último trimestre do ano com índices negativos. "Não é alarmismo porque os empresários lutam para manter os empregos. A continuar essa tendência, de política de câmbio valorizado e de pequenos cortes nos juros, haverá mais demissões do que admissões na indústria no último trimestre do ano", analisou. Segundo ele, o corte de 0,25 ponto porcentual efetuado pelo Banco Central (BC) na Selic, a taxa básica de juros da economia, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) foi insuficiente para reduzir o juro real do País (Selic descontada a inflação), o que compromete a "expectativa" empresarial para manter os investimentos. Além disso, Tabacof acrescentou que a valorização do real frente ao dólar tem comprometido a competitividade das exportações brasileiras, ao mesmo tempo em que incentiva importações. "Estamos estimulando importações de calçados da China, tecidos e máquinas", declarou. De acordo com Tabacof, caso o crescimento do emprego na indústria paulista se posicione num patamar de crescimento da ordem de 4%, o ano fechará com uma criação de 65 mil a 80 mil postos. Por outro lado, caso fique na faixa dos 3%, patamar em que se encontra nos doze meses acumulados que se encerraram em agosto, o nível de emprego industrial no Estado apurado pela entidade ficará perto de 60 mil cargos.

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