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Mantidas regras do SMP, só banda D promete disputa

Mantidas as atuais regras do leilão para as novas licenças de telefonia móvel, somente a venda da banda D promete alguma disputa. A banda E permanece sem interessados e a C tem, em princípio, a Tele Centro Oeste Celular (TCO) como habilitada, mas pairam dúvidas sobre sua participação. Diante das incertezas decorrentes das liminares que suspenderam o processo, só as participações da Brasil Telecom, sozinha e em parceria com a Telemar, e da Telecom Italia são dadas como certas no leilão da banda D. Resta saber quais das três áreas interessarão às empresas. A região 3, correspondente ao Estado de SP, está na mira dos dois grupos. A regra para abertura das propostas prevê a apresentação de lances substitutivos sempre que houver mais de um proponente para uma mesma área. Não será em viva-voz, mas na forma de entrega de um novo envelope de preço. Assim, o consórcio Brasil Telecom/Telemar certamente enfrentará uma queda-de-braço com a Telecom Italia por São Paulo. Vence quem tiver mais poder de fogo. Vendida a banda D para um desses dois grupos, o outro fica impedido de concorrer à banda E, segundo as regras do edital. Por conta disso, os analistas acreditam que o leilão da banda D é o único que promete alguma emoção. "A banda C era tida como uma espécie de filé das novas licenças do Serviço Móvel Pessoal (SMP), por conta da expectativa dos novos entrantes e das celulares já instaladas que quisessem expandir sua atuação" explica a analista Carolina Gava, da BES Securities. "No entanto, fica cada vez mais claro que essas empresas estão optando pelo caminho das fusões e aquisições", completa. Com as celulares mais focadas nas oportunidades de compras e reestruturações, resta o interesse das fixas em busca de sinergias regionais e novos produtos na telefonia móvel - vide o perfil dos poucos grupos que entregaram garantias. E sem limite de participação para as fixas, a banda D passou a ser encarada como a principal disputa no SMP. Apetite reduzido - A disputa na banda C ainda é uma incógnita. Do lado das certezas, somente o fato de que o interesse dos eventuais participantes ficou muito aquém do que esperava o governo - motivo pelo qual já se fala em possibilidade de revisão de regras e mesmo de preços, negada pela Anatel. "Quem entrar na banda C vai ter de estar preparado para fazer um volume de investimentos muito grande", afirma o analista Itamar Barbosa, do Dresdner Asset Management. O atraso na licitação (emperrada por decisão judicial) e a joint-venture entre Telefônica e Portugal Telecom, anunciada na semana passada, também mudam o cenário do leilão de maneira negativa. Enquanto um atraso maior das licitação significa perda de mercado para os novos participantes, a fusão das duas gigantes ibéricas leva os interessados nas novas licenças, quem quer que seja, a considerar um novo concorrente de peso. "Não há dúvida de que uma empresa com tais músculos acabou levando as operadoras a perderem o apetite pela banda C", explica Barbosa. Na visão dos analistas, há ainda outro ponto jogando contra a banda C: o fato de que o "filé" da clientela para as celulares, em termos de renda, já está praticamente exaurido com as operadoras atuais. Isso obrigaria os novos participantes a redobrarem os esforços em busca dos clientes, aumentando o já pesado investimento inicial em infra-estrutura, pessoal etc.

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