Manual ensina empresas a enfrentar protestos de rua

Seguradora suíça que atua no Brasil há 30 anos elabora lista para avaliação de riscos e providências para empresários brasileiros

06 de setembro de 2013 | 12h18

 SÃO PAULO - As manifestações de rua se tornaram um risco potencial para as empresas brasileiras.

O prejuízo pode ser maior ou menor dependendo de alguns fatores externos, mas há providências que podem ser tomadas para evitar o pior.

Confira abaixo as principais recomendações elaboradas pela seguradora suíça Zurich Seguros, multinacional presente no Brasil há mais de 30 anos.

A empresa elaborou um manual que pode ser conferido como uma lista de providências prioritárias paras empresas que desejam saber se estão vulneráveis e como devem  proceder em casos de desordem.

O manual vale para qualquer tipo de negócio, mas algumas companhias estão em situação de maior risco, como bancos, lojas e varejo e hotéis. O risco pode ser potencialmente maior quando existem clientes presentes.

Uma das recomendações que não poderia faltar é a seguinte: reveja suas apólices de seguro e cobertura com o seu corretor ou agente de seguros.

Avaliação de riscos:

Embora a maior parte dos encontros e protestos sejam pacíficos, a chegada de ativistas mais radicais ou desordeiros pode resultar em agitação, incêndio, vandalismo, motins ou distúrbios civis em grande escala, com sério potencial de impacto nas empresas.

Mesmo as concentrações de fãs de artistas costumam atrair fanáticos, e as reuniões podem terminar em distúrbios.

Manifestações e passeatas planejadas com informação prévia sobre a intenção, local e hora também podem aumentar rapidamente o risco às propriedades e pessoas.

O resultado pode causar sério impacto nas operações empresariais e resultar em uma sobrecarga significativa da aplicação da lei e de recursos de segurança pública, ou seja, a presença de policiais com bombas de gás em ações contra os distúrbios;

A convergência da internet e a capacidade evolução das mídias sociais de se comunicar de forma rápida e mobilizar grandes multidões estão impactando negativamente neste risco.

Uma avaliação detalhada dos riscos pode levar a uma melhor compreensão dos mesmos e ser de grande ajuda para uma empresa avaliar e adequar os planos de emergência existentes, assim como identificar as melhorias necessárias para medidas de proteção e de mitigação dos riscos. Confira:

- Realize uma avaliação de riscos para cada local que possa estar exposto à desordem civil.

- A avaliação de riscos tem como objetivo avaliar e adequar planos de emergência existentes e identificar as melhorias necessárias.

- Cada situação de ameaça ou vulnerabilidade é única e precisa ser analisada de forma objetiva. É importante planejar, revisar e atualizar periodicamente as avaliações de riscos.

- Exemplos de condições que podem apresentar um maior nível de exposição à perturbação da ordem pública:

• Localidades urbanas ou centrais.

• Proximidade de complexos esportivos.

• Proximidade de locais/rotas de desfile ou paradas que possam desencadear um protesto.

• Proximidade a uma empresa que pode ser o alvo de um protesto.

• Proximidade a edifícios governamentais e embaixadas e consulados estrangeiros.

• Locais com vidros na frente mostrando itens de alto valor ou muito desejados.

Medidas preventivas para as empresas:

Embora qualquer empresa em uma região vulnerável possa estar em perigo, como hotéis, restaurantes, estádios, salas de convenções, lojas e imóveis, elas ainda podem enfrentar as ameaças à segurança de seus funcionários e clientes.

Quando um local é o ponto de encontro de um evento que será alvo do protesto, na fase de planejamento do evento é importante a plena cooperação com a aplicação da lei.

Uma avaliação de riscos ajudará a preparar uma lista concisa de ações para complementar e melhorar a comunicação, proteção, mitigação e os planos de resposta de emergência da sua empresa.

A estratégia deve ser focada na abordagem 'preparação-resposta-recuperação' para ajudar a reduzir o impacto negativo na empresa e assegurar a resiliência e a continuidade dos negócios.

Apesar de não estarem relacionadas a uma situação de desordem civil, algumas organizações podem estar vulneráveis a hackers, ataques à interrupção de serviços e outros riscos cibernéticos antes, durante e depois desses eventos.

O "hacktivismo" e a avaliação de riscos de outras ameaças cibernética também devem fazer parte dessa avaliação de riscos.

Comece a planejar com antecedência e busque respostas das autoridades e de especialistas.

A conscientização antecipada de um evento que poderia levar a desordens civis propicia tempo para que locais potencialmente afetados tomem medidas razoáveis para se preparar.

Desenvolva um plano de ação para preparar antecipadamente a instalação para a desordem civil, considerando a possibilidade de restringir as operações, se necessário.

Plano de ação de emergência:

- Faça o backup de registros importantes do negócio.

- Remova ou armazene materiais de alto valor e dinheiro em local seguro.

- Verifique cartas e pacotes de conteúdo ou natureza suspeitos.

- Delegue autoridade a uma ou mais pessoas para executar e coordenar o plano de ação emergencial em caso de possíveis ameaças de desordens civis.

- Designe uma pessoa treinada como um porta-voz para assuntos com a mídia, para coordenar todas as comunicações.

- Identifique locais ou condições que poderiam acionar o plano de resposta às ameaças de desordens civis do local.

- Atribua a uma ou mais pessoas a responsabilidade de monitorar os comunicados da imprensa e boletins das autoridades civis, monitorando o Facebook, Twitter e outros canais de rede sociais de grupos que promovem as manifestações.

- Mantenha os portões fechados. Tranque os portões que não são utilizados.

- Verifique se há grades de proteção em todas as janelas que são possíveis de ser alcançadas, incluindo as janelas do porão. Se existirem persianas, feche-as ou prepare-se para fechá-las.

- Remova bens valiosos ou atrativos das janelas.

- Mantenha as portas exteriores fechadas e trancadas. Isto inclui as portas de acesso ao porão. Verifique se todas as travas estão protegidas contra ações maliciosas.

- Portas, janelas e outros pontos de acesso e até entradas de ar devem estar protegidas. Elimine o acesso a qualquer porta da cobertura, do terraço ou janela que são acessíveis aos intrusos.

- Certifique-se de que placas "Não Ultrapasse" estejam instaladas.

- Confirme se os sistemas estão em funcionamento e ative todos os recursos, na medida em que as suas operações permitirem.

- Confirme se o sistema está em completo funcionamento e as condições de gravação. Aumente a atenção nas imagens das áreas-chave, como o lobby e entradas.

- Confirme se todas as áreas externas estão iluminadas durante a noite, ou que estejam com a iluminação natural prejudicada.

- Reforce as políticas de uso do sistema de acesso com cartão ou de biometria, enfatizando a necessidade de evitar a entrada de pessoas não autorizadas.

- Prepare-se para aumentar a equipe de segurança com base nos resultados da avaliação de riscos. Pode ser necessária a contratação e coordenação de serviços de segurança terceirizados. Não espere até o início da desordem para contratar um serviço de segurança terceirizado.

- Equipamentos de segurança (rádios, telefones celulares, lanternas, materiais de primeiros socorros) estão disponíveis e funcionando.

- Tome medidas para verificar se os sistemas de proteção contra incêndio estão operando e se os materiais inflamáveis estão armazenados em local seguro.

- Verifique se todos os sistemas fixos de proteção contra incêndio estão em funcionamento, incluindo válvulas de fornecimento de água abertas, tanques de água cheios, hidrantes acessíveis, sistemas de extinção de incêndio operacionais, portas corta-fogo funcionais e não obstruídas.

- Caçamba e containers de lixo devem ser esvaziados ou removidos.

- Iniciar ações de evacuação com base na avaliação de riscos.

- Planeje a saída dos funcionários e clientes. Com base na avaliação de riscos, isso pode implicar na evacuação de todas as pessoas ou todas as pessoas, exceto a equipe de segurança.

- Planeje uma rota de evacuação alternativa ou defenda, no local, uma estratégia de ação para os funcionários e clientes, caso a desordem impeça ou bloqueie uma evacuação ordenada.

- Notifique as autoridades competentes sobre as ações de evacuação.

- Notifique a empresa externa de monitoramento dos alarmes sobre qualquer evacuação completa de todas as pessoas.

Hotéis:

- Os hotéis podem não ter uma porta de entrada principal que seja bloqueável. Quando a instalação estiver exposta à desordem civil, deve ser considerado um meio para proteger a porta de entrada principal.

- Instrua os funcionários do departamento de reservas para informar aos clientes que o hotel estará em uma possível área de desordem.

- Considere rever práticas de faturamento de no-show para reservas canceladas ou sem comparecimento durante o período de desordem.

- Certifique-se de que há suprimentos adequados (alimentos e bebidas) à disposição para a duração prevista da desordem.

- Seja honesto na comunicação com os hóspedes sobre as potenciais desordens na região.

- Forneça atualizações contínuas para os hóspedes através dos quadros de avisos do hotel, sistema de televisão do hotel ou carta.

- Estimule os hóspedes a ficar na propriedade do hotel e evitar sair para jantar, ir a shows, etc.

- Realoque funcionários que permanecem na área externa do hotel durante a desordem, tais como porteiros e atendentes do valet parking.

- Providencie escoltas de segurança para os hóspedes que então indo ou voltando do estacionamento do hotel.

- Realoque os hóspedes de todos os quartos do piso térreo para os andares superiores do hotel longe de potenciais danos.

Lojas de varejo:

- Priorize proteger funcionários e clientes contra acidentes.

- Considere, no mínimo, a instalação de portas de aço de enrolar que sejam resistentes a impacto para proteção dos vidros.

- Determine a resposta, capacidades e uso da aplicação da lei, da segurança do centro comercial (shoppings) e de funcionários da empresa terceirizada para responder a emergências.

- Determine as mudanças da norma de prisão/apreensão corporativa para proteger administradores e funcionários de danos.

- Certifique-se de que foram feitas notificações à polícia, segurança do centro comercial (shopping) e aos escritórios locais, regionais e corporativos, conforme determinado pele departamento jurídico da

casa matriz.

- Não entre em conflito com manifestantes ou saqueadores para evitar o saque de mercadorias. Proteja os funcionários e clientes de acidentes. Lembre os gerentes, funcionários e clientes, se necessário,

sobre os protocolos de segurança.

- Proteja os registros de vigilância e as áreas visitadas por suspeitos de roubo no caso de um "evento de roubo em multidão".

- Após o evento:

- Coopere com as autoridades policiais ou locais.

- Forneça cópias de vídeos e depoimentos de testemunhas, como indicado pelo escritório corporativo e departamento jurídico.

- Avalie a resposta do evento. Obtenha o feedback da gerência e dos funcionários que trabalharam no horário do evento.

- Se necessário, atualize as políticas e procedimentos, conforme determinado.

- Se necessário, melhore os sistemas de vigilância, segurança física do edifício e de funcionários.

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