Manutenção da Selic não influencia crescimento, diz Ipea

O diretor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo Levy, acredita que a manutenção da taxa de juros básica, a Selic, em 16,5% ao ano, não influencia muito o crescimento econômico e ajuda a trazer a inflação para a meta, de 5,5% este ano pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). De acordo com ele, a inflação no primeiro trimestre ficará mais alta que o esperado e a ação do BC é para reverter isso. Segundo Levy, o que influencia as taxas dos empréstimos ao setor produtivo não é a Selic e sim taxas de juros de longo prazo, como os swaps (contratos de juros) de 360 dias. "A Selic tem pouco efeito sobre essas taxas de mais longo prazo agora, até porque já era esperada a manutenção em 16,5%. Elas aumentaram em janeiro, quando a decisão do Banco Central de manter a Selic surpreendeu", disse. Ele considera que o principal efeito da decisão do BC para a atividade econômica é em relação às expectativas. "A manutenção da Selic tende a acentuar um clima mais negativo de expectativas, de pessoas que acham que a taxa deveria cair mais", afirmou. O economista considera que o debate sobre o desenvolvimento tem girado em torno das taxas de juros mas que "tem muitas outras questões mais importantes que essa para o crescimento". A principal seria a ordem jurídica e regulatória. Levy citou as reformas da previdência e tributária realizadas no ano passado e a Lei das Falências como exemplo de avanços nessa área.

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