André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Manutenção do nível da Selic depende da reforma da Previdência

Analistas também acreditam que um novo corte na taxa básica de juros da economia dificilmente ocorrerá

Simone Cavalcanti e Caio Rinaldi, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2018 | 19h43

Em comentário sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que reduziu a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto porcentual, para 6,75% ao ano, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a manutenção dos juros em patamar historicamente baixo depende do ajuste das contas públicas e da reforma da Previdência.

A entidade aponta que, com a Selic a 6,75% ao ano, os juros reais recuaram para 2,5% ao ano. "A manutenção dos juros nesse patamar exige rigor com o ajuste fiscal", alerta o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, para quem "o equilíbrio permanente das contas públicas depende, sobretudo, da aprovação da reforma da Previdência".

A recente volatilidade no mercado externo e a perspectiva de elevação dos juros norte-americanos ao longo do ano, ressalta a CNI, são elementos que podem limitar novos cortes na Selic.

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Interrupção. As dúvidas do mercado em torno da continuidade do ciclo de flexibilização monetária devem ser dirimidas com o comunicado divulgado nesta quarta-feira, 7, pelo Copom, avalia Marcos Mollica, sócio-gestor da Rosenberg Investimentos. "Havia uma dúvida no mercado se o ciclo iria parar agora ou se a porta continuaria aberta para a próxima reunião. Pelo comunicado, ficou bem claro que vai realmente parar nos 6,75%", explicou ao Estadão/Broadcast.

Mollica ponderou que o Copom até deixou "uma pequena fresta" para um novo corte, mas que é muito difícil que o cenário necessário para uma nova redução dos juros se confirme. "Na minha visão, seria necessária uma taxa de inflação bem abaixo do esperado, somada à aprovação da reforma da Previdência, que é algo bem improvável de acontecer", comentou.

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O plano de voo do BC para entregar a taxa de inflação nas metas deste e do próximo ano, afirmou Mollica, é manter a Selic em 6,75% em 2018 e promover "elevações bastante discretas" ao longo de 2019, chegando à marca de 8%, patamar ainda "ligeiramente expansionista". "Este nível de 8% ao fim de 2019 é muito menor do que o mercado está precificando, tem gente projetando alta já neste ano", afirmou. "Eu penso que não virão altas em 2018, o BC deve manter a taxa constante ao longo deste ano."

O profissional explicou que as projeções mais elevadas do mercado para a taxa de juros em 2018 e 2019 levam em conta também um prêmio de risco relacionado às eleições presidenciais. 

Projeção. Na avaliação da economista do Santander Tatiana Pinheiro, o Brasil vai viver a menor taxa de juros da história durante todo este ano. Em teleconferência, ela afirmou que este é o fim do processo de flexibilização e um ciclo de aperto monetário começará a ocorrer apenas no segundo trimestre de 2019, o que levará o juro básico a 8,5% no final daquele ano.

Pela sua análise, a princípio, a economia terá crescimento ao lonogo do ano que vem, mas há risco de se expandir além do potencial. Com isso, será necessário que o Banco Central ajuste a taxa real, que hoje se encontra estimulativa para a atividade.

Tatiana calcula que a taxa neutra de longo prazo no Brasil esteja em 5,7%, considerando o tamanho da dívida pública, o problema fiscal e a inflação mais baixa. "A taxa neutra de curto prazo, considerando a reforma da previdência, está em torno de 3%. E a taxa real está abaixo disso, o que mostra política monetária estimulativa", disse.

Segundo ela, muito embora tenha ficado claro no comunicado que o ciclo foi encerrado, o BC deixou uma fresta para que, no caso de alguma surpresa positiva, possa reavaliar a situação. Surpresas essas seriam a aprovação da reforma da Previdência assim como a inflação para baixo. "Se uma Reforma da Previdência como foi apresentada antes tivesse sido aprovada, o ciclo de flexibilização monetária não teria acabado agora", afirmou.

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