Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Inflação acumulada deve atingir o pico neste trimestre, diz Tombini

Presidente do BC diz que a manutenção do atual patamar de juros por 'período suficientemente prolongado' é necessária para levar a inflação à meta em 2016

Ricardo Leopoldo e Alvaro Campos, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 09h36

SÃO PAULO - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse nesta sexta-feira que a inflação acumulada em 12 meses deve atingir o pico no atual trimestre. 

Ele lembrou que o duplo ajuste de preços relativos (administrados ante livres e domésticos ante internacionais) mantém a inflação elevada no curto prazo e tende a ficar assim em 2015. 

"Para 2016 a mediana das expectativas recuou, a despeito do aumento significativo nas projeções para 2015", comentou. A declaração foi dada durante o X Seminário Anual sobre Riscos, Estabilidade Financeira e Economia Bancária.

Ele ressaltou que a "manutenção do atual patamar de juros por período suficientemente prolongado é necessária para a convergência da inflação à meta ao final de 2016." 

Tombini também destacou que os "riscos remanescentes para que as projeções de inflação atinjam 4,5% ao final de 2016 são condizentes com o efeito defasado e cumulativo da política monetária."

 

Nesse contexto, o presidente do BC afirmou que é importante a política monetária continuar vigilante, caso ocorram desvios das projeções da inflação em relação à meta.

Tombini reforçou que a política monetária pode e deve conter os efeitos de segunda ordem dos ajustes de preços relativos e que os resultados recentes mostram que a estratégia está adequada. 

"Os ajustes de preços relativos têm colocados importantes desafios à política monetária, demandando determinação e perseverança", apontou. O presidente do BC também ressaltou que o ajuste de preços relativos aumenta a eficiência da alocação de recursos e, assim, colabora para que as empresas possam voltar a investir no futuro, estimulando a economia. 

Ajuste fiscal. O ajuste fiscal também foi citado pelo presidente do BC. Tombini afirmou que um "ajuste fundamental por qual a economia passa é o processo de recomposição do colchão fiscal." 

Segundo ele, esse mecanismo foi utilizado pelo acionamento de políticas anticíclicas a fim de atenuar os efeitos contracionistas da crise financeira global. 

"A atual agenda da política fiscal tem enfrentado esse desafio por meio de uma série de medidas que incluem, entre outras, cortes de gastos, redução de subsídios, aumento de tarifas públicas e recomposição de impostos regulatórios", apontou Tombini. 

"Embora o processo de recuperação dos resultados fiscais venha ocorrendo em velocidade inferior à inicialmente prevista, o sentido do ajuste e a determinação em implementá-lo permanecem os mesmos." 

De acordo com o presidente do BC, o compromisso com a "consolidação fiscal" é peça-chave para a retomada da "trajetória benigna" da dívida pública. "Nesse sentido, uma trajetória de geração de superávit primários que fortaleça a percepção de sustentabilidade do balanço do setor público é fundamental para o ambiente macroeconômico e, portanto, para o crescimento sustentável." 

Para ele, esse é um conjunto de medidas que são condições necessárias para fortalecer os fundamentos macroeconômicos do País.

"Contudo, a construção de um futuro mais próspero requer também ações em várias frentes para superar gargalos estruturais à produção, acelerar a taxa de crescimento da produtividade e ampliar a oferta."

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