Mapa logístico do IBGE aponta falta de ferrovias e hidrovias

Estudo mostra que transporte no País continua concentrado nas rodovias, especialmente na região Centro-Sul

DANIELA AMORIM , RIO, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2014 | 02h03

A distribuição de ferrovias e hidrovias é bem reduzida no País, com potencial muito pouco explorado, avaliou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou ontem o mapa mural "Logística dos Transportes no Brasil". O modal rodoviário predomina no território brasileiro, com concentração maior na Região Centro-Sul, especialmente no Estado de São Paulo.

"Existe um baixo investimento ao longo da história em ferrovias e hidrovias. Na exportação de commodities, seria ideal o uso de ferrovias para o escoamento dessa produção. Já é usado, mas ainda falta investimento. Houve avanço nos últimos anos, mas está aquém do que poderia ser utilizado", concluiu André Assumpção, geógrafo do IBGE.

De acordo com a Confederação Nacional de Transportes (CNT), 61,1% de toda a carga transportada no Brasil em 2009 usou o modal rodoviário, enquanto 21% passaram por ferrovias, outros 14% pelas hidrovias e terminais portuários fluviais e marítimos e apenas 0,4% por via aérea.

A exceção é apenas a região amazônica, onde se destaca o transporte por vias fluviais por causa da densa rede hidrográfica natural. "No Norte já existem as condições naturais para uso de hidrovias, mas não são bem aproveitadas como deveriam", apontou Assumpção.

No mapa, é possível observar os "vazios logísticos", onde a rede de transporte é mais escassa: no interior do Nordeste; na região do Pantanal (com exceção da área de influência da hidrovia do Paraguai); e no interior da floresta amazônica (exceto no entorno das hidrovias Solimões-Amazonas e do Madeira).

São Paulo. O levantamento mostra que São Paulo é o único Estado com uma infraestrutura de transportes que conecta as cidades do interior à capital por uma vasta rede, que inclui rodovias duplicadas, ferrovias e a Hidrovia do Tietê. O estado ainda comporta o maior aeroporto (Guarulhos) e o porto com maior movimentação de carga (Santos) do País.

São Paulo também concentra quase metade dos portos secos, 28 das 62 estações aduaneiras de interior de todo o Brasil. As Regiões Nordeste e Norte têm apenas duas estações aduaneiras de interior cada: em Recife e Salvador; e Belém e Manaus. O Centro-Oeste possui três, enquanto a Região Sul tem 11 cidades com portos secos.

Segundo o estudo, a fronteira brasileira com a Argentina, Paraguai e Uruguai registra as interações mais dinâmicas com os países vizinhos, havendo, portanto, maior ocorrência de postos da Receita Federal e de cidades gêmeas. Os três países compõem o Mercosul junto com o Brasil desde a sua criação.

A compilação feita pelo IBGE contou com dados do Banco de Informações e Mapas de Transportes do Plano Nacional de Logística dos Transportes (BIT-PNLT) - Ministério dos Transportes, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), da Infraero e da Receita Federal do Brasil.

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