Máquinas agrícolas formam fila de 5 km em estrada de Goiás

Uma fila com cerca de 5 km de máquinas, equipamentos agrícolas e tratores está formada na BR-060 que corta o Estado de Goiás, segundo avaliação da Polícia Militar. Trata-se de uma manifestação organizada por associações de produtores rurais que querem chamar a atenção do governo para a necessidade de renegociação das dívidas do produtores. A idéia dos organizadores é reunir 1,3 mil máquinas totalizando, 8 km de manifestação. A BR-060 tem mão dupla, mas o trânsito flui bem porque os carros que trafegam pelo local seguem pelo acostamento.Os organizadores distribuíram um panfleto intitulado "Ainda há tempo. Ajudem a salvar quem sustenta o País". No documento, eles alegam que, se o governo não ajudar o agronegócio, todos os setores da economia, como comércio, indústria e prestadores de serviços serão prejudicados pela crise no setor. "Caso nada seja feito para equilibrar as despesas com as receitas e adequar os pagamentos dos débitos dos produtores ao fluxo de caixa da atividade, certamente será falência da agricultura nacional", informa o manifesto.Os organizadores também argumentam que o crescimento da agricultura brasileira e os recordes sucessivos na produção de alimentos ocorrem por conta do endividamento do produtor rural que, para atingir esses níveis de eficiência, adota tecnologias de ponta, mas tem custos e juros exorbitantes. Os agricultores dizem que não estão reivindicando o perdão de dívidas, mas sim que o governo adote políticas que possam equilibrar a atividade, proporcionando igualdade para competir com o mundo na produção de alimentos. "Aqui no Brasil, diferentemente dos demais países do mundo, inclusive nossos parceiros do Mercosul, não podemos plantar transgênicos; temos os insumos mais caros do mundo, em alguns itens até 5 vezes mais caros do que os preços do Mercosul", informa o panfleto. Os organizadores alegam, ainda, que os produtores brasileiros pagam os juros mais caros do mundo para produzir e que essas taxas chegam a ser 30 vezes mais caras do que no Primeiro Mundo. Eles citam que os subsídios concedidos pelos governos dos EUA, Europa e Ásia acabam por prejudicar a produção brasileira. O panfleto termina cobrando do governo e da sociedade apoio para o setor rural pois, argumentam os agricultores, a situação é de "falência da agricultura brasileira"."Se nos for dada a devida atenção neste momento, o setor dará respostas positivas com rapidez e consistência, pois temos terras férteis em abundância, tecnologia e estrutura para praticarmos uma agricultura competitiva, forte, de qualidade e, sobretudo, sustentável". Eles alertam que se não forem tomadas medidas para ajudar o setor haverá a bancarrota da agricultura. Eles lembram que o PIB do agronegócio representa 47% do PIB nacional. Assinam o manifesto a Federação de Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), a Cooperativa dos Produtores de Algodão do Estado de Goiás (Allcotton), Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), o Fundo de Incentivo à Cultura do Algodão em Goiás (Fialgo) e o Fundo de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário de Goiás (Fundação GO).

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