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Máquinas apreendidas e safra para colher

Produtores tentam reverter decisões judiciais e liberar colheitadeiras

, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 00h00

As seis colheitadeiras que o agricultor Milton Matheus Criveletto usaria para colher a área de 2,8 mil hectares de grãos plantadas em Diamantino, a 208 quilômetros de Cuiabá, estão "presas"no pátio de uma revenda, em Vargem Grande, cidade vizinha da capital, protegidas por seguranças armados. Na quinta-feira, Criveletto quis ver as máquinas, mas não conseguiu: só com ordem judicial, informou o segurança. Uma liminar dada no mesmo dia pelo juiz José Zuquim Nogueira, de Cuiabá, determinou a liberação dos equipamentos, mas o produtor ainda não sabe quando serão devolvidos. "O banco pode entrar com recurso", explicou. No pátio da revenda, cercadas por um alambrado, estão mais de 30 colheitadeiras já apreendidas por ordem judicial. O proprietário conseguiu liminar para impedir o assédio dos produtores, enquanto as máquinas não são liberadas. Criveletto é presidente do Sindicato Rural de Diamantino e conta que adquiriu as colheitadeiras entre 2003 e 2004, pelo Moderfrota. Usou as máquinas para colher três safras consideradas ruins. Sem renda, não conseguiu pagar as parcelas do financiamento.Cada máquina custou R$ 470 mil, mas hoje valem apenas R$ 370 mil. "Se eu devolvê-las ao banco, ainda fico devendo R$ 1,5 milhão." Quando o oficial de justiça chegou à fazenda com os mandados de busca e apreensão, ele se surpreendeu com o aparato de caminhões-prancha e guinchos. O agricultor conta que o oficial e seus auxiliares tiveram de passar a noite na propriedade por causa da distância. "Ainda tive de fornecer pousada e alimentação." No dia seguinte, quando ele conseguiu uma liminar sustando a apreensão, as máquinas já haviam sido levadas.Criveletto ainda teve sorte. Na região de Rondonópolis, os oficiais de justiça requisitaram força policial para fazer as apreensões. Algumas máquinas foram retiradas do campo, ainda com a semente e o adubo usado no plantio. Só nesse município mais de 70 produtores foram notificados do arresto. O agricultor Luis Carlos Gonçalves, vereador e vice-presidente do Sindicato Rural de Mutum, conta que escondeu um trator para evitar o arresto. "Ele (o trator) está sendo procurado até agora." Gonçalves diz que deve R$ 225 mil e a máquina vale apenas R$ 80 mil. Ele termina o plantio de 2,3 mil hectares de soja. "A máquina está no campo trabalhando e não vou entregar."

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