Maranhão se prepara para receber siderúrgica

Antes mesmo da assinatura do protocolo que define as exigências públicas e privadas para a instalação de uma siderúrgica no Maranhão, previsto para o primeiro trimestre deste ano, o governo do Estado já começa a se preparar para receber a nova empresa, cujo projeto é encabeçado pela siderúrgica chinesa Baosteel, com a parceria da Arcelor e da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).Um programa de capacitação elaborado pela Gerência de Desenvolvimento da Indústria, Comércio e Turismo (Gedict) prevê o treinamento e capacitação de 8,6 mil pessoas, sendo 4,8 mil trabalhadores durante a fase de construção da siderúrgica e outras 3,8 mil pessoas durante a fase de operação.O programa, que será oferecido gratuitamente em unidades do Senai, Senac e da escola técnica do Estado, tem custo estimado entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões. De acordo com o subgerente minero-metalúrgico e de construção civil, ligado à Gedict, João Carlos Couto Souza, os recursos deverão ser obtidos junto ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e com os próprios investidores.Paralelamente, a subgerência está firmando uma parceria com o sindicato das indústrias de construção civil e metal-mecânica, para capacitação das empresas e funcionários que poderão prestar serviços para as grandes empresas que serão responsáveis pelas obras na região.A expectativa do Estado é de que durante a fase de construção da usina, entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões sejam gastos na região, com a contratação de serviços nas áreas metal-mecânica, engenharia civil e planejamento urbanístico, além de projetos na área de tratamento de água e geração de energia, entre outros.FinanciamentosUm estudo de viabilidade técnica e econômica do projeto já foi encomendado à uma consultoria internacional. A expectativa é de que o estudo sirva também para a obtenção de financiamento de bancos estrangeiros para o projeto. A estimativa inicial é de que US$ 1,45 bilhão sejam investidos na primeira fase do projeto.Segundo dados da Gedict, a nova siderúrgica, em uma primeira fase, terá capacidade para produzir 3,7 milhões de toneladas de placas por ano volume que será integralmente destinado à exportação. A previsão é de que as obras tenham início no segundo semestre deste ano, o que permitirá o início das operações para 2007. Uma segunda fase, programada para 2009, ampliará a capacidade da empresa para 7,3 milhões de toneladas.A previsão é de que durante os picos das obras da primeira fase, cerca de 12 mil pessoas estejam trabalhando no projeto que, quando entrar em operação, demandará entre 3,5 mil e 4 mil funcionários.Porto privadoSegundo Souza, a empresa deve ser instalada em uma área de 1 mil hectares, localizado na ilha de São Luís. O terreno, que pertence ao governo do Estado, deverá ser vendido para o grupo de investidores que lideram o projeto por um preço simbólico de R$ 4 ou R$ 5 o hectare. Souza ressalta ainda que o terreno tem acesso ao mar, o que possibilita a construção de porto privado pela empresa. "A construção do porto ainda não foi definida, mas acredito que deva fazer parte dos planos da nova siderúrgica", afirma.O terreno onde a nova empresa deverá ser instalada fica a cinco quilômetros do porto do Itaqui, que atualmente já atende a CVRD em suas exportações de minério de ferro, além de movimentar todo o ferro gusa produzido na região. O executivo afirma que o porto do Itaqui, com o objetivo de atender ao crescimento da região, está passando por um amplo processo de expansão, que elevará o número de berços e da área portuária do terminal.Com a expansão, orçada em R$ 200 milhões, Itaqui aumentará a sua capacidade para movimentar as placas que serão exportadas pela nova siderúrgica, além de receber insumos importantes para a siderúrgica como o carvão e o calcário. Segundo o subgerente da Gedict, além da proximidade de Itaqui e do terreno disponibilizado pelo governo, contribuiu para a decisão de instalar uma usina siderúrgica na região a proximidade da planta de pelotização da CVRD em São Luís.Infra-estrutura O subgerente afirma que a infra-estrutura de energia do Maranhão, que recebe energia da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, e conta com duas linhas de transmissão da Eletronorte com capacidade para 500 kilovolts cada, é suficiente para atender à nova empresa. "A nova siderúrgica, que demandará em torno de 190 megawatts, terá de investir em uma subestação para levar a energia até a sua fábrica", explica.Já o consumo de água da nova empresa, da ordem de 1,2 metros cúbicos por segundo, deverá ser atendido pela segunda adutora que o Estado está construindo para transportar a água captada no rio Itapecuru. "Esse projeto já estava previsto antes da definição da vinda da nova empresa e deverá estar pronto até o primeiro semestre de 2006", afirma.Os impactos da implantação de uma usina siderúrgica na região ainda estão sendo medidos pelo Estado, que tem usado como parâmetro a cidade de Vitória, no Espírito Santo, como exemplo, por conta da experiência com a implantação da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), que atualmente produz 4,8 milhões de toneladas de aço."Levando-se em consideração o volume de produção da nova usina do Maranhão, podemos fazer um paralelo", afirma Souza. Segundo o executivo, no caso da CST, são recolhidos anualmente R$ 10 milhões de ISS, R$ 2,1 milhões de IPTU, além de gastos de R$ 544 milhões com os 200 maiores fornecedores da empresa no Estado.Além da usina de pelotização da CVRD, hoje o Maranhão abriga a planta da Alumar, que produz alumina e alumínio; e o pólo de Açailândia, que em 2003 produziu 2 milhões de toneladas de ferro-gusa. O Estado também é conhecido pela forte produção de soja - em torno de 800 mil toneladas produzidas no ano passado.Segundo dados da Gedict, o Estado registrou um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 9,207 bilhões em 2002. O Maranhão, que ocupa uma área de 333 mil quilômetros quadrados, tem uma população de 5,634 milhões de pessoas.

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