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Marca carioca é uma das mais inovadoras

Grife de roupas Reserva é eleita pela 'Fast Company' como uma das mais criativas da América Latina

NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2015 | 02h02

Dona de uma marca de roupas considerada jovem e rebelde, o carioca Grupo Reserva foi eleito pela revista americana Fast Company como uma das dez empresas mais inovadoras da América Latina. A forma de a companhia se comunicar com seus clientes - transformando exposições aparentemente negativas em vantagens - e suas campanhas com fundo social estão entre as razões para a escolha da publicação.

Há cerca de quatro anos, a Reserva esteve sob os holofotes porque um ex-traficante do Complexo do Alemão, no momento de sua prisão, estava usando uma camiseta da marca. A região havia sido tomada pela exército e tudo relacionado à favela ganhava destaque naquele momento.

Depois que Diego Santos saiu da prisão, nove meses depois, e conseguiu trabalho como cinegrafista na organização não governamental Afro Reggae, a Reserva resolveu usá-lo como modelo. Foi uma oportunidade para a empresa relembrar o caso (aproveitando a nova fase positiva do ex-criminoso) e, ao mesmo tempo, lançar o selo AR, a marca de licenciamento do Afro Reggae criada em parceria com a Reserva com a função de gerar fundos para projetos de reinserção social.

Outro episódio negativo do qual a empresa se aproveitou foi o assalto a uma de suas lojas. Há pouco mais de dois anos, ladrões invadiram uma de suas unidades em São Paulo. A câmera da loja gravou toda a ação, e a empresa aproveitou as imagens para elaborar um vídeo para uma liquidação. O filme publicitário exibiu as peças sendo levadas pelos ladrões (como bermudas, polos, calça jeans) e disse: "Corra, porque tem gente fazendo loucuras pela Reserva".

Agora, a empresa está embarcando num projeto que chamou de "Rebeldes Com Causa", cujo objetivo é investir em causas sociais (como a construção de uma escola em uma comunidade ribeirinha no Pará). Em paralelo, a Reserva lança uma coleção que "conta" essas histórias.

"Em vez de lançar uma proposta para vestir, nós lançamos uma proposta para agir", diz Rony Meisler, de 33 anos, cofundador e presidente da Reserva.

Fazem parte da companhia também a linha de vestuário infantil Reserva Mini, a linha feminina EVA, a Huck (em parceria com Luciano Huck, sócio da empresa) e uma hamburgueria (sociedade com Thomas Troisgros).

Plano. Para o consultor em varejo Luiz Antonio Secco, além da comunicação consistente, a Reserva se destaca por ter sido uma empresa que nasceu a partir de um plano de negócios sólido. "Isso é uma exceção."

Camisaria é a categoria de roupa mais vendida da empresa. A cada atendimento a companhia faz entre R$ 300 e R$ 400, valor que inclui duas peças, em geral. O faturamento da empresa foi de R$ 231 milhões em 2014. Para 2015, a expectativa é de R$ 250 milhões. A empresa nasceu em 2006 numa loja de 33 metros quadrados em Ipanema, no Rio. Hoje, a grife tem 36 lojas em sete Estados do País.

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