Marca Esso deve sumir no médio prazo, diz Cosan

Executivo afirma que a tendência é que a marca Shell prevaleça dentro [br]da estrutura da operação criada com joint venture

Eduardo Magossi, Gustavo Porto SERTÃOZINHO (SP), O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

O presidente do Conselho de Administração da Cosan, Rubens Ometto, disse ontem que a tendência é a marca Esso desaparecer no médio prazo, dentro da nova estrutura formada pela joint venture com a Shell, confirmada na semana passada. Segundo o executivo, a marca Shell tende a prevalecer na nova estrutura. "Tudo está sendo organizado, mas é natural que a Shell tenha prioridade."

Sobre a joint venture com a Shell, Ometto declarou que ainda não pode divulgar dados referentes à sinergia gerada pelo acordo. Ele disse, contudo, que essa sinergia não virá apenas da rede de postos de combustíveis, mas também das áreas de tecnologia da informação, financeira e administrativa das empresas.

Pedro Mizutani, presidente da Cosan Açúcar e Álcool, acrescentou que, agora que a joint venture entre Shell e Cosan foi selada, a empresa vai esperar por cerca de 45 dias para que o acordo seja referendado pela Comissão Europeia, para que os novos passos sejam definidos. Os executivos participam do 12º Fórum Internacional sobre o Futuro do Álcool, que está sendo realizado em Sertãozinho (SP), na região de Ribeirão Preto, e que faz parte da Feira Internacional da Indústria Sucroalcooleira (Fenasucro).

Sonegação. Ometto afirmou que a redução dos impostos incidentes sobre o etanol seria a medida mais eficaz para acabar com a sonegação fiscal no setor. Ele ressaltou o exemplo do Estado de São Paulo, que reduziu o ICMS para 12%, e que deveria ser seguido pelos demais Estados. "A equalização do ICMS depende de vontade política e, nesse sentido, o Estado de São Paulo é um exemplo a ser seguido."

Bioeletricidade. Ometto declarou, também, que o governo ainda não entendeu a importância da bioeletricidade gerada com bagaço da cana-de-açúcar para abastecer a matriz energética brasileira. "Os preços que estão sendo ofertados nos leilões são inviáveis", reclamou. Ele garantiu que a palha de cana, por exemplo, que não está sendo utilizada, poderia contribuir de forma expressiva no abastecimento de energia elétrica no País. Segundo ele, o governo poderia oferecer em um primeiro momento preços melhores que permitissem que as usinas se equipassem e que, a partir de então, esses valores fossem se reduzindo gradualmente.

Pedro Mizutani, por sua vez, afirmou que a empresa não vai vender bioeletricidade produzida por meio de biomassa nos preços ofertados em leilão de energia renovável, realizado na semana passada. Segundo ele, o preço final do leilão de R$ 134,00 por megawatt (mw) torna inviável qualquer investimento de cogeração, mesmo para expansão de capacidade. "A Cosan iria vender energia da Usina de Carapó, em Mato Grosso do Sul, para expandir a produção já existente na usina. No entanto, diante do preço do leilão, decidimos não vender."

Para o executivo, para realizar investimento de expansão de capacidade já instalada, o preço teria de ficar acima de R$ 150,00 por MW. Mizutani informou que, para investir na readaptação de usinas para cogerar energia por meio de biomassa, o valor de venda em leilão teria de ser acima de R$ 180,00 o MW. A Cosan já tem dez usinas gerando energia e outras duas que devem entrar em operação respectivamente em 2011 e 2012.

Cogeração

RUBENS OMETTO

PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA COSAN

"Os preços ofertados (pela energia do bagaço de cana) nos leilões são inviáveis"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.