Marca regional ganha público fiel na capital

O clima nostálgico e a estética das marcas regionais de refrigerantes ajudaram duas amigas a estrearem como empresárias na cidade de São Paulo. O Tubaína Bar foi lançado em 2009 nas proximidades da Rua Augusta e o local permanece com boa frequência de público três anos depois da inauguração.

O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 03h38

"Eu queria montar um bar e minha sócia oferecer uma carta de tubaínas que, no passado, eram refrigerantes de tutti-frutti e, agora, é um termo que serve para designar marcas regionais", explica Verónica Goyzueta sobre a origem do negócio.

"Foi quando a gente parou para pensar e percebeu que o nome Tubaína era muito bom para o negócio", conclui. Da logomarca, a tubaína das empresárias desdobrou-se para o conceito do espaço, decoração e, finalmente, para o cardápio, de forte inspiração italiana e peruana, a nacionalidade de Verónica.

"A tubaína tem uma relação com a comida italiana, já que começou a ser produzida por famílias de imigrantes da Itália ainda no final do século 19", destaca a empreendedora, sobre as origens das pequenas fábricas do refrigerante em São Paulo.

"Tem gente que senta aqui, pede um refrigerante e até chora quando começa a beber. Esse é um produto que tem muita relação com a memória afetiva das pessoas", analisa.

Com 25 rótulos, o bar tem marcas como a carioca Mineirinho, produzida a partir do mate chapéu-de-couro e o guaraná Jesus, do Maranhão. Os coquetéis etílicos também usam o produto como matéria-prima. No cardápio existe o Mojaína, por exemplo, um mojito feito de tubaína de limão.

Logística. Por não existir um sistema de distribuição desses produtos para a cidade de São Paulo, Verónica conta com a ajuda de amigos e conhecidos - um grupo que viaja com regularidade para as cidades do interior onde essas marcas são normalmente comercializadas.

Por isso, o trabalho dos comerciantes que chegam a São Paulo para a Feira da Madrugada, tradicional ponto de comércio popular no centro da cidade, é importantíssimo para a sobrevivência do bar.

"Eles trazem os produtos nos ônibus e vou até lá bem cedo para retirar as encomendas", conta. Associada a limitação na quantidade de produção das marcas, essa estratégia de aquisição dos refrigerantes tem impacto direto nos preços cobrados dos clientes. No Tubaína Bar, uma marca alternativa é mais cara que a comercial.

Nada que comprometa o negócio, que até inspira alguns fabricantes. "A gente se surpreendeu com o resultado do Tubaína. Estudamos uma forma de aproveitar e expandir essa demanda", afirma Reilly Okada, da marca Maçã Don.

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