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Carlos Moraes/Estadão
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Marcas disputam espaço ‘VIP’ na Marquês de Sapucaí

Com a crise, empresas deixam de bancar camarotes exclusivos para patrocinar festas feitas por empresários

Luiz Guilherme Gerbelli, Especial para o Estado

22 de janeiro de 2018 | 05h00

Enquanto as escolas de samba estiverem desfilando na Marquês de Sapucaí nos dias de carnaval, os camarotes montados ao longo do sambódromo do Rio serão palco de eventos disputados não apenas por foliões, mas por algumas das principais marcas em atuação no País. 

Festas nesses espaços costumavam ser organizadas pelas próprias marcas e restritas a convidados, mas têm migrado para mãos de empresários, que produzem o evento e vendem o ingresso no local. 

A mudança no modelo ganhou força nos últimos dois anos e tem como pano de fundo a recessão econômica. Com a crise, ficou muito caro para uma marca colocar sozinha um evento desse tipo de pé. Em 2018, o custo de montar uma festa num camarote no sambódromo do Rio varia entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões. Em São Paulo, oscila entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões.

No papel de patrocinadoras, as marcas conseguem gastar uma fração do que teriam de desembolsar caso decidissem promover um evento próprio. No carnaval carioca, uma quota mais simples para divulgar um produto na festa pode sair por cerca de R$ 450 mil. O patrocínio com assinatura na cenografia do camarote pode custar de R$ 1,5 milhão a R$ 4,5 milhões. Em São Paulo, os preços variam de R$ 80 mil a R$ 850 mil.

“O custo se tornou alto nos últimos anos e ficou inviável para as marcas bancarem”, diz o diretor de marketing do Camarote Rio, Ricardo Mendes.

A transformação enfrentada por um dos negócios mais disputados do carnaval fez com que as marcas economizassem, mas também assumissem um novo papel dentro dos camarotes. Há diversidade maior de empresas participantes – antes, a lista era dominada pelas cervejas – e elas buscam agora, além da publicidade, o relacionamento com clientes. Elas querem usar o evento para checar se são aprovadas por consumidores, a chamada “ativação” da marca.

“Uma das intenções da empresa que patrocina é observar como aquele produto se comporta entre as pessoas que estão no camarote”, diz o empresário Victor Oliva, da agência de marketing Banco de Eventos, e um dos idealizadores do Camarote N.º 1, no Rio. 

Oliva, que tem como sócio no evento o empresário Alvaro Garnero, foi responsável pelo tradicional Camarote Brahma, no Rio. Há dois anos, no entanto, a Ambev deixou de ser dona do evento. A empresa segue no camarote de Oliva, mas divide o espaço com outras marcas. 

Por ora, o empresário já acertou com a empresa de cartões Elo, a grife francesa Givenchy, a companhia de transportes Cabify, entre outras.

Estreias. Na semana passada, a promoter Carol Sampaio ainda se dividia entre Rio e São Paulo em busca dos últimos patrocínios para o Nosso Camarote.

Carol, que ficou conhecida pelo Bloco da Favorita, um dos mais populares do Rio, era parceira do Camarote N.º 1 até o carnaval de 2017. Neste ano, aliou-se ao ex-jogador Ronaldo e ao promotor de eventos Gabriel David para fazer um evento na Sapucaí.

Na lista de patrocinadores já confirmados para o novo camarote da empresária estão as marcas de bebidas Grey Goose, Bombay e Martini, o energético Red Bull, a grife Armani e a empresa de colchões Ortobom. 

A promoter diz que seu modelo de negócios é baseado na variedade de patrocinadores. “Tive uma experiência no Rock in Rio e percebi que, quando pulverizo, consigo chegar a um número maior de patrocinadores de forma mais fácil”, afirma Carol.

Em São Paulo, os empresários Chico Barbuto, Carlos Xavier, Marcos Scaldelai e Margarete Costa também se uniram e abrem, neste ano, o camarote da Garoa. Com foco no público de alta renda, eles já têm acertado o patrocínio das marcas de bebida Absolut e Chivas e da companhia aérea American Airlines. 

O grupo aposta na força do evento para o relacionamento entre empresários. Uma parte do camarote foi destinada para que executivos de marcas patrocinadoras recebam clientes convidados. 

"O relacionamento é muito importante, sobretudo no momento de esperança de melhoria na economia”, diz Scaldelai. “O resultado das empresas pode depender de eventos como este.”

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