Marcello Serpa vende ações e deixa a Almap

Publicitário e José Luiz Madeira venderam participação que tinham à rede BBDO, do grupo Ominicon

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2015 | 02h05

Um dos mais reconhecidos publicitários do Brasil está deixando a profissão - pelo menos temporariamente. Sócio da AlmapBBDO há 22 anos, Marcello Serpa vendeu as ações que ainda detinha da agência ao grupo BBDO e também entregou o cargo de presidente do conselho da companhia. Com ele, saiu o sócio José Luiz Madeira.

Em entrevista ao Estado, Serpa e Madeira afirmaram que a decisão começou a ser costurada há três anos, quando começou o processo de escolha dos executivos que comandariam o dia a dia da Almap.

Há dois anos e meio, eles entregaram o comando do negócio ao diretor-geral de criação Luiz Sanches, que também se tornou sócio do negócio, ao lado dos executivos Cintia Gonçalves (chefe de planejamento) e Rodrigo Andrade (finanças).

Desde então, Serpa e Madeira passaram a dividir a presidência do conselho da companhia, ficando responsáveis pela definição de estratégias de longo prazo da agência.

Segundo o ranking do Ibope Media, a AlmapBBDO é a sexta maior empresa em investimentos em mídia no País, com mais de R$ 1,4 bilhão comprados entre janeiro e junho deste ano (sem contar os descontos oferecidos pelas empresas de comunicação). A companhia está atrás somente das agências Young & Rubicam, Ogilvy, Africa, Muellen Lowe (ex-Borghi Lowe) e WMcCann.

Embora tenha se unido somente em 1993 à rede BBDO, do grupo Ominicon, a agência foi originalmente fundada em 1954. A sigla Almap significa Alcântara Machado Publicidade - o negócio foi fundado pelos irmãos Caio e José Alcântara Machado. Já nos anos 70, a empresa figurava entre as principais companhias do setor no País, atendendo a contas como Xerox, Polaroid e Gillette. Tanto Madeira quanto Serpa estão na empresa desde os anos 90.

Sob a batuta de Serpa e Madeira, a empresa também ganhou relevância no circuito de prêmios internacionais. Somente no Cannes Lions - Festival Internacional de Criatividade, a companhia foi eleita agência do ano três vezes (em 2000, 2010 e 2011). Esse prêmio é dado à empresa com maior número de Leões e finalistas nas categorias de premiação do festival.

Relacionamento. O desenvolvimento de relações de longo prazo com clientes como Alpargatas e Volkswagen é citada pelos publicitários como a base do trabalho da Almap. "Acho que, entre os trabalhos que fizemos, precisamos destacar o caso de Havaianas, em que realmente conseguimos ajudar a desenvolver uma marca global", aponta Madeira. Já Serpa cita o caso da montadora alemã, que permanece há duas décadas como cliente da agência, e o exemplo da Bauducco. "Nós começamos com uma fábrica de panetones e agora saímos com uma indústria de alimentos."

Serpa diz que a saída também é motivada pelo desejo de não ficar preso a uma posição "decorativa" dentro do negócio. "Não quero ser 'rainha da Inglaterra', ficar preso ao passado e a um legado", diz o publicitário. "Nós somos os padeiros que venderam a padaria no topo. É um exercício de desapego", completa Madeira.

Embora não tenham planos imediatos de voltar a empreender, os publicitários não descartam que isso venha a ocorrer. "Depois de 22 anos, chegou a hora de tirar um tempo. Não temos nenhum projeto no curtíssimo prazo. Vamos esvaziar a nossa agenda", diz Madeira.

 

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