Ueslei Marcelino/Reuters - 29/8/2018
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Mercado livre de energia é vantajoso para o consumidor e o meio ambiente

Numa era em que a transformação digital está acelerada, é importante que o mercado de energia acompanhe essa evolução

Marcelo Bernardino*, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2022 | 04h00

A pesar de o Brasil ter uma vasta área para poder aproveitar a energia eólica e a energia solar, ainda assim é um país de dimensões continentais que depende muito da energia vinda de hidrelétricas. Para economizar água dos reservatórios, o governo federal aumentou a geração de energia usando usinas termoelétricas.

É uma solução eficiente, porém com custos maiores, que variam de acordo com cada usina e combustível utilizado. De acordo com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, esse valor, em maio de 2021, era de R$ 8 por MWh. Em outubro este valor saltou para R$ 115 por MWh.

Com esse contexto, é importante pensar no mercado livre de energia ou Ambiente de Contratação Livre (ACL). O objetivo do ACL é aumentar as ofertas do mercado de energia.

Ele é vantajoso para o meio ambiente, já que é possível contratar energia de diversas fontes, como eólica, solar, pequenas usinas e empresas comercializadoras de energia. Além disso, a gestão de controle de energia é mais eficiente, pois há várias empresas administrando as infraestruturas. E, como no mercado livre de energia não existem as bandeiras tarifárias, o consumidor paga menos.

Ainda há mais benefícios: a negociação é flexível; o consumidor tem maior previsibilidade em relação à sua conta de energia, pois as empresas fornecem aplicativos de gestão e pacotes de consumo; a fonte de energia também pode ser escolhida: eólica, solar, pequena central hidrelétrica. Além da conta menor, há mais controle sobre o consumo, o que gera mais economia ainda.

Numa era em que a transformação digital está acelerada, é importante que a Lei 1.917/15, que rege o ACL, possa acompanhar essa evolução. O 5G, por exemplo, é uma das tecnologias que vão ajudar a alavancar negócios. Nas cidades, por exemplo, auxiliará na gestão de mobilidade, como semáforos inteligentes e sensores que ajudam a identificar trânsito, transmitir em tempo real para a rede móvel e informar outras rotas aos motoristas.

A formação do preço de energia no mercado de curto prazo passa a incluir a oferta de preços pelos agentes. Hoje, esse preço é calculado sem levar em conta a oferta. No futuro, a ideia é abrir gradualmente este mercado para que o consumidor comum também possa comprar energia livremente.

Portanto, este projeto de lei é importante para o crescimento de indústrias e empresas e, acompanhando a transformação digital, vai gerar inovações e empregos. Além disso, colabora para um futuro mais sustentável, já que a energia eólica e a solar também podem ser exploradas. 

*CEO DA INDRA NO BRASIL

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