Orlando Barría/EFE
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Marcha na República Dominicana reúne milhares contra caso de suborno da Odebrecht

Poder Judiciário celebra as audiências preliminares para determinar se há provas para enviar a julgamento os oito acusados de receber subornos da empreiteira, incluindo ex-ministros e legisladores

Agências, Associated Press

12 Agosto 2018 | 18h44

SANTO DOMINGO - Milhares de pessoas marcharam neste domingo, 12, para a sede do Poder Judiciário da República Dominicana em protesto contra a lentidão no processo judicial contra envolvidos em subornos milionários da construtora brasileira Odebrecht e para denunciar a impunidade.

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A manifestação, a maior deste ano, ocorre em um momento em que o Poder Judiciário celebra as audiências preliminares para determinar se há provas para enviar a julgamento os oito acusados de receber subornos da Odebrecht, incluindo ex-ministros e legisladores. Segundo delações de executivos da Odebrecht perante autoridades do Brasil e dos Estados Unidos, a empresa pagou US$ 92 milhões em subornos para obter contratos com o governo dominicano entre 2001 e 2014.

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A investigação "é uma caricatura que não garante justiça", disse a ex-líder do sindicato de professores María Teresa Cabrera enquanto caminhava no domingo na chamada "marcha do milhão" contra a impunidade. María Teresa, uma das porta-vozes do chamado Movimento Marcha Verde, que surgiu para exigir a investigação sobre os subornos da empresa de construção, insistiu que "há muitas pessoas que nem sequer foram investigadas" pela Procuradoria Geral da República.

Após um ano e meio de investigações, a Procuradoria Geral da República apresentou acusações em junho contra o representante comercial da Odebrecht, Ángel Rondón, e oito ex-funcionários e legisladores por suspeita de terem recebido subornos da empresa brasileira. Devido às constantes objeções apresentadas pelos acusados, as audiências preliminares iniciadas em 6 de julho foram adiadas várias vezes. A próxima está agendada para 23 de agosto.

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Entre os manifestantes da "marcha do milhão" estavam líderes de partidos da oposição. Os participantes do protesto se reuniram na manhã de domingo no centro da capital, de onde começaram a caminhar em direção ao prédio que abriga o Supremo Tribunal de Justiça e a Procuradoria Geral. A forte chuva não impediu manifestantes, vestidos de verde e com cartazes pedindo "Fim da impunidade", de continuar a sua caminhada. /

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