Marchionne avança com estratégia global

Executivo já levou a Fiat a fazer mais de 30 alianças em todo o mundo

AP, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2009 | 00h00

A foto publicada há alguns dias nas primeiras páginas dos jornais que mostra o presidente da Fiat, Sergio Marchionne, caminhando pensativo e fumando, tarde da noite, um cigarro, durante as negociações sobre o futuro da Fiat, é bastante reveladora: o CEO ítalo-canadense parecia lutar pela sobrevivência - ou o predomínio - da montadora italiana como se se tratasse de sua própria vida.Ontem, Marchionne tornou-se também CEO da Chrysler, concluindo um negócio que, há apenas um ano, seria inimaginável para a Fiat. Entretanto, a corajosa decisão provavelmente não será a última em suas ambições globais.Desde que chegou à Fiat, em 2004, Marchionne vem semeando a tecnologia da empresa nos quatro cantos do globo, com alianças que lhe permitem compartilhar plataformas de automóveis, tecnologia de motores e capacidade de produção.A Fiat ingressou numa joint venture com o governo sérvio para ressuscitar a única montadora do país. Fabrica automóveis na Rússia com a OJSC Sollers, antiga Severstal, e na Índia com a Tata. E anunciou recentemente seus planos para a construção de uma fábrica de automóveis com o Guangzhou Automobile Group na China, para a produção de 140 mil veículos ao ano. Entretanto, essas mais de 30 associações não despertaram o estardalhaço provocado pelo negócio nos EUA."É muito importante que ele leve adiante com sucesso os projetos na Índia, na China e na Rússia, porque essas regiões proporcionarão crescimento futuro", disse Giuseppe Volpato, professor da Universidade Ca? Foscari de Veneza, autor de três livros sobre a Fiat.Além da marca Fiat, a montadora produz também carros Alfa Romeo esportivos, velocíssimas Maserati e o automóvel de luxo Lancia. Mas o ativo com que Marchionne e a Fiat mais pretendem lucrar é a sua FPT Powertrain Technologies, fabricante da Multijet, linha de motores eficientes em matéria de energia, que também será desenvolvida na nova aliança Fiat-Chrysler."Marchionne tem uma espécie de modelo segundo o qual ele formula a estratégia global da Fiat com uma mistura de negócios com base em ações e não ações", disse Francesco Zirpoli, pesquisador da Universidade de Salerno que estudou a Fiat. "E isso é coerente." Entretanto, ao mesmo tempo, o executivo perdeu aparentemente uma dura batalha para levar a Opel da Alemanha com outros ativos europeus da General Motors, embora o negócio com a principal candidata Magna International ainda não tenha sido assinado.

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