Márcio Cypriano deixa Bradesco, após 37 anos no banco

Segundo fontes do mercado, a renúncia ao cargo de conselheiro teve motivações pessoais. Decisão é irrevogável

Marcelo Rehder, O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2010 | 00h00

O ex-presidente do Bradesco Márcio Arthur Laurelli Cypriano anunciou ontem a renúncia do cargo de membro do Conselho de Administração do banco. O pedido para sair do banco foi feito, em uma decisão estritamente pessoal e em caráter irrevogável, segundo fontes do mercado.

Cypriano foi presidente-executivo do Bradesco durante dez anos. Ele foi escolhido para suceder Lázaro de Mello Brandão, atual presidente do Conselho de Administração do Bradesco, e um dos principais acionistas individuais do banco, em 1999. Ficou até março de 2009, quando deixou o cargo por ter alcançado a idade-limite de 65 anos para exercer a função. Ele foi substituído por Luiz Carlos Trabuco Cappi.

A gestão de Cypriano à frente do Bradesco foi marcada pela melhora dos padrões de governança corporativa do banco e por várias aquisições, que fizeram o Bradesco competir palmo a palmo com o Itaú pelo posto de maior banco privado do País. Os ativos do Bradesco quintuplicaram, mas no finzinho de sua gestão, Cypriano foi surpreendido pela fusão do Itaú com o Unibanco, no fim de 2008, que acabou com 47 anos seguidos de liderança absoluta do Bradesco na banca privada.

Segundo informações de mercado, Cypriano vinha enfraquecido dentro do banco desde o processo de sua sucessão. Na época, falou-se muito no mercado sobre a hipótese de que o estatuto do banco seria alterado para que ele ficasse mais tempo no comando. Não foi isso o que aconteceu. Trabuco assumiu o cargo por indicação de Lázaro Brandão.

De lá para cá, Cypriano ocupou um dos assentos do Conselho de Administração do banco, mas ainda segundo informações do mercado, ele também vinha tendo discordância com a atual gestão.

Há cerca de 40 dias também deixou o banco José Luiz Acar Pedro, o mais importante vice-presidente na gestão de Cypriano. Acar, como é conhecido no mercado, era egresso do BCN, comprado pelo Bradesco em 1997. Tinha excelente relacionamento com Cypriano, com quem trabalhou junto no BCN, entre 1998 e 1999. Tanto que, na bolsa de apostas de analistas para sucessão de Cypriano, Acar era um dos favoritos, ao lado de Trabuco, que assumiu o cargo.

O atual presidente-executivo do banco é fiel ao estilo discreto do Bradesco. Até nesse ponto, Cypriano fugia um pouco do padrão der comportamento dos executivos formados no banco, caracterizado pela discrição e pouca exposição pública. Cypriano também foi presidente da Febraban.

Cypriano chegou ao Bradesco quando a instituição de Osasco comprou o Banco da Bahia, no início da década de 1970. Ele era gerente de uma agência na capital paulista. No Bradesco, recebeu várias promoções, até assumir a presidência, em 1999.

PARA LEMBRAR

Advogado foi o 3º presidente do banco

O advogado paulistano Márcio Artur Laurelli Cypriano foi o terceiro homem a comandar um dos maiores bancos privados do País desde a sua fundação, em 10 de março de 1943, e o primeiro a ter um diploma de curso superior. Ele ingressou no Bradesco em 1973, quando a instituição fundada por Amador Aguiar adquiriu o Banco da Bahia, onde trabalhava como gerente de uma agência. Antes de iniciar a carreira na instituição financeira, Cypriano chegou a trabalhar como office-boy num escritório de advocacia e vendedor de discos. No Bradesco, trabalhou diretamente com o fundador e estreitou os laços com Lázaro Brandão, seu antecessor, quando comandou, a partir de 1997, o BCN.

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