Marcopolo compra a australiana Volgren

Com a aquisição de 75% da maior encarroçadora de ônibus da Oceania, a brasileira marca presença nos cinco continentes

LUCAS AZEVEDO, ESPECIAL PARA O ESTADO, PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2011 | 03h04

A Marcopolo, uma das maiores fabricantes de carrocerias de ônibus do mundo, anunciou ontem a compra de 75% da australiana Volgren Australia Pty. Limited, de Melbourne. O negócio com a principal encarroçadora de ônibus da Oceania efetiva a participação da empresa brasileira nos cinco continentes.

O valor a ser desembolsado pela participação consiste em uma antecipação de 52,5 milhões de dólares australianos, equivalente a US$ 53,052 milhões, e ajustes relativos à performance da companhia com base na geração de caixa (Ebitda) dos próximos três anos. A brasileira possui o direito de comprar os 25% restantes ao final de três anos.

"A nova fábrica nos agregará uma bela receita. Serão cerca de US$ 150 milhões a mais em nosso US$ 1,5 bilhão por ano", avalia o diretor de estratégia e desenvolvimento da Marcopolo, Ruben Bisi.

Estrutura. A companhia brasileira possui hoje onze fábricas, sete delas no exterior. Conforme explica Bisi, o mercado australiano era atendido até então pela unidade da empresa em Portugal. Mas agora, com quatro fábricas da Volgren distribuídas pelo território (são cerca de 560 funcionários), mais de 40% do mercado daquele país será atendido pela Marcopolo.

A produção da companhia este ano deve fechar em 131,5 mil unidades. Num volume total de 450 mil carrocerias, a empresa situa-se entre as cinco maiores fabricantes do ramo no mundo.

Sobre o futuro, o executivo prefere ser discreto em relação aos próximos passos da Marcopolo em terreno mundial. Porém, ressalta que o planejamento estratégico da empresa está sendo seguido e cumprido. "Não podemos divulgar nossos próximos passos no exterior. Apenas que haverá novas operações, mercados e produtos."

O executivo também vê a crise europeia como oportunidade. "Muitas vezes a crise é benéfica para o nosso setor. A crise norte-americana, por exemplo, aumentou o número de usuários de ônibus. Além disso, investidores virão - e já estão vindo - para o Brasil."

Rússia. Com a crise de 2008, a Marcopolo teve de interromper sua produção em uma fábrica na Rússia. "Vivemos de financiamento. Ninguém compra ônibus à vista. Naquele país, 90% dos financiamentos são leasing", afirma Bisi. "Com a crise, os empresários deixaram de pagar e as operadoras quebraram. Por isso deixamos o negócio em stand by, mas ele ainda não está liquidado." Por outro lado, a Marcopolo já possui uma nova empresa russa no mercado de micro ônibus.

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