Marcos Lisboa explica declaração sobre Malan

O Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa, divulgou hoje uma nota para contextualizar sua declaração de que o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan mereceria uma estátua em praça pública por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal e da renegociação das dívidas com Estados e municípios. A declaração foi dada em palestra realizada na última quinta-feira em um seminário sobre jovens empreendedores, em São Paulo. Diante da repercussão da declaração, o secretário tentou mostrar em sua nota que fez uma análise "ponderada" da economia brasileira nas últimas décadas, mostrando os pontos positivos e negativos desse processo. Ele explicou que a busca da estabilização mediante aumento da carga tributária e de receitas extraordinárias, como ocorreu nos ajustes fiscais dos últimos anos, não garante um equilíbrio sustentado das contas públicas no longo prazo. Por isso o País teria continuado com altas taxas de juros e com baixo crescimento na última década. Isso teria ocorrido também no governo Fernando Henrique, onde os resultados no combate à inflação e ao desequilíbrio fiscal ocorreram mediante um umento da carga tributária, de 28% para 36% do produto Interno Bruto (PIB), e da relação dívida/PIB, que passou de 28% para quase 60%. Para reverter esse quadro, o novo governo buscou um equilíbrio sustentável mediante corte de despesas, e não mais com aumento de receitas. "Esse ajuste fiscal sustentável é a âncora da saída da grave crise do ano passado, da queda das taxas reais de juros de mercado em mais de 8 pontos percentuais ao longo deste ano e da já observada retomada do crescimento econômico", disse o secretário em sua nota. Apesar de ter apontado essas falhas na política econômica do governo anterior, Lisboa deu o crédito aos pontos positivos da gestão Malan. Disse que a guinada promovida pelo novo governo "foi possível não apenas devido a nova orientação da equipe econômica mas também a duas ações extremamente meritórias do governo anterior: a lei de responsabilidade fiscal e o acordo sobre as dívidas dos governos estaduais". O secretário concluiu sua nota dizendo que a avaliação ponderada dos pontos positivos e negativos da política fiscal dos anos recentes "permite um diálogo transparente e construtivo sobre os novos rumos necessários à superação de tantos anos de estagnação econômica e à urgente retomada do crescimento econômico e da geração de empregos".

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