Marfrig avalia venda de terminal privativo em SC

Seguindo sua estratégia de reestruturar operações para focar no segmento de proteína animal, o Marfrig informou nesta terça-feira que avalia vender um terminal que possui no porto de Itajaí, em Santa Catarina.

FABÍOLA GOMES, REUTERS

20 de setembro de 2011 | 12h57

"O terminal privativo no porto de Itajaí poderá ser eventualmente objeto de transação e para o qual já se tem interessados", disse o diretor de Relações com Investidores do Marfrig, Ricardo Florence em conferência com analistas.

Questionado sobre o valor que poderia ser obtido com esta operação, o executivo disse que este "é um valor que ainda não podemos abrir, quando tiver o fato firme, nós então vamos divulgar ao mercado por fato relevante", disse Florence.

Segundo ele, este terminal é pouco utilizado atualmente, sendo destinado principalmente para serviços a terceiros.

Nesta semana, a companhia informou ao mercado ter fechado negócio com a multinacional norte-americana Martin-Brower para vender o braço de logística adquirido quando comprou a Keystone Foods no ano passado.

A operação vendida, basicamente caminhões e armazéns, envolve os serviços de logística especializada para redes de alimentação nos EUA, Europa, Oriente Médio, Oceania e Ásia, com exceção da joint venture criada recentemente com a COFCO para o desenvolvimento de logística na China.

A receita desta divisão logística vendida, segundo a Marfrig, somava entre 500 milhões e 550 milhões de dólares, representando o equivalente a cerca de 18 por cento da receita da Keystone em 2010, de 2,7 bilhões de dólares.

"É mais um passo para eficiência: o primeiro foi a criação da Keystone América Latina , agora foi o desenvestimento de um negócio que não é nosso core e não tinha sinergia com outras divisões", afirmou presidente do Marfrig, Marcos Molina, que participou da conferência.

SINERGIAS

Molina ponderou que a companhia vinha atuando agressivamente em seus investimentos nos últimos anos, mas que agora busca focar nos ganhos de sinergia.

"Nosso capex está praticamente terminado, temos toda a plataforma montada e esperávamos que todo o dinheiro em capex começasse a dar retorno neste segundo semestre", afirmou o presidente da Marfrig.

Molina afirmou que a companhia terá em 2012 um capex muito mais reduzido ante anos anteriores.

"Estivemos, nos últimos anos, gastando muita energia em aquisições e agora nós temos que entregar a sinergia do que nós compramos", disse Molina.

Segundo Florence, a utilização desses recursos provenientes de sinergia e das vendas de ativos devem servir para reduzir o endividamento da empresa.

Sobre a situação dos papéis da companhia, que registram queda de cerca de 50 por cento na Bovespa desde o início de agosto, Florence afirmou que isso ocorreu em meio à crise.

"A venda maior de um fundo acabou temporariamente reduzindo o valor das ações da empresa. No entanto, todos os nossos fundamentos permanecem", ressaltou.

Por volta das 12h50 (horário de Brasília), as ações do Marfrig operavam em queda de 1,8 por cento, para 7,56 reais, enquanto o Ibovespa subia 0,75 por cento.

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