Marfrig compra frigorífico na Irlanda do Norte

Negócio, de cerca de R$ 70 milhões, deve ampliar em 15% a capacidade de produção do grupo brasileiro no Reino Unido

Paula Pacheco, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2010 | 00h00

O Marfrig anunciou - ontem a compra do frigorífico irlandês O"Kane Poultry, por meio de suas subsidiárias europeias, a Marfrig Holdings BV e a Moy Park. O negócio, comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foi fechado em R$ 70 milhões (26 milhões de libras esterlinas). Metade será desembolsada agora e o restante em junho de 2011.

A empresa brasileira comprou a totalidade do frigorífico, sediado em Ballymena, o que inclui a fábrica de ração, incubadoras, granjas, unidades de abate, de processamento de aves e laboratório de pesquisas.

A O"Kane Poultry, segunda maior empresa da Irlanda do Norte, atrás apenas da varejista Tesco, tem condições de processar 120 mil frangos e 5 mil perus por dia. A aquisição vai aumentar em 15% a capacidade de produção da Marfrig no Reino Unidos. No ano passado, o faturamento da O"Kane foi de R$ 351 milhões.

Segundo Ricardo Florence, diretor de Planejamento e de Relações com Investidores do Marfrig, além do aumento da capacidade de produção e da base de clientes, a aquisição da O"Kane permitirá à empresa operar em um novo segmento, o de perus.

"Aumentaremos a capacidade de produção de frangos e passaremos a ter peru no nosso portfólio europeu, o que será complementar à operação brasileira Com isso, podemos pensar até na exportação da ave para o Reino Unido", explica o executivo.

Agora, incluindo a operação da O"Kane e da Moy Park, comprada em outubro de 2008, a Marfrig está presente em todas as principais redes de varejo do Reino Unido, como a Tesco e a Marks & Spencer - com marca própria e com a marca dos clientes. Sozinha, a O"Kane distribui nos supermercados em torno de 500 produtos diferentes, entre frescos e processados.

Quase a totalidade da operação europeia do Marfrig concentra-se no Reino Unido, mas também há uma pequena distribuição de produtos no norte da França e em parte da Holanda.

Florence evita dar detalhes sobre o plano de expansão da empresa na Europa depois da aquisição. "Temos o princípio da diversificação de risco por meio de negócios complementares com os quais já temos", diz o executivo.

O negócio entre a Marfrig e a O"Kane surgiu por meio da aproximação entre os executivos das duas empresas. "Percebeu-se que poderia haver sinergia entre os negócios e um ganho importante de escala. Agora, queremos aproveitar essas vantagens", afirma Florence.

Apesar da depreciação de alguns dos ativos na Irlanda - ainda consequência da quebra do banco Lemann Brothers, em setembro de 2008, e da crise global que se seguiu -, o diretor do Marfrig diz que o valor da O"Kane não estava depreciado. "Encontramos condições financeiras boas, mas foi pago o valor de mercado", explica.

Visibilidade. Para José Vicente Ferraz, sócio da consultoria Agra, o valor pago pelo Marfrig não chega a ser muito expressivo. O montante praticamente equivale a lucro que o grupo teve no primeiro trimestre do ano. "Mais importante que o tamanho da operação, foi a posição que a Marfrig comprou nas gôndolas dos supermercados europeus", avalia o especialista em agronegócio.

Perfil. O Marfrig é o quarto produtor mundial de carne e segundo maior exportador de frango. Por dia, são abatidas 30,2 mil cabeças de gado, 10,4 mil de porco, 10,4 mil de ovelhas, 30 mil de perus e 3,1 milhões de frangos.

O grupo é dono de 93 fábricas, distribuídos pela América do Norte e do Sul, Ásia, África e Europa. Seus produtos são encontrados em cerca de 100 países. Nos últimos três anos foram feitas 38 aquisições, dentro e fora do Brasil. Quase metade da receita, 46%, vem das vendas no mercado interno. A Europa representa 39% da receita.

Para lembrar

Empresa fez em 2009 sua maior compra

O Marfrig fez sua maior aquisição no ano passado, ao pagar cerca de US$ 900 milhões pela Seara. A empresa, uma das maiores indústrias de processamento de aves e suínos do Brasil, pertencia desde 2005 à americana Cargill, que havia comprado seu controle, por US$ 130 milhões, da Bunge. O valor do negócio envolveu o pagamento de US$ 706,2 milhões em dinheiro e outros US$ 193,8 milhões em dívidas, e incluiu nove unidades de abate, três plantas de produtos industrializados, nove fábricas de ração, seis granjas, um terminal no Porto de Itajaí e operações de distribuição e comercialização no exterior.

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