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Marfrig estuda abrir capital de subsidiárias no exterior neste ano

Grupo brasileiro, que tem meta de voltar a ser lucrativo em 2014, quer captar dinheiro lá fora com negócios que atuam no Reino Unido, nos EUA e na China; recursos seriam usados na expansão da companhia e na redução do seu endividamento

Suzana Inhesta, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2014 | 02h07

Após afirmar no balanço referente a 2013 que cogita abrir o capital de duas de suas subsidiárias no exterior - a Moy Park e a Keystone Foods, que atuam no Reino Unido, China e Estados Unidos -, a Marfrig detalhou ontem que o movimento poderá ser feito ainda este ano. A ideia é pegar carona no cenário internacional positivo para usar as companhias - que representam 50% da receita do grupo - para captar dinheiro novo.

Embora veja um cenário favorável para buscar capital em bolsa de valores lá fora, o diretor-presidente da Marfrig, Sergio Rial, afirmou ontem que as operações só serão viáveis se a companhia ainda mantiver o controle dos dois negócios. A Marfrig ressalva ainda que poderá abrir o capital só de uma das duas empresas. A Moy Park é uma processadora de aves que atua no Reino Unido e a Keystone fornece alimentos a redes de fast food nos EUA e na China.

O executivo reforçou, durante teleconferência com jornalistas, que eventuais IPOs (aberturas de capital) não são um compromisso da companhia, mas uma possibilidade em estudo, já que a empresa vê um cenário externo melhor do que no mercado doméstico.

"O ano de 2014 se mostra parecido com 2007 (quando houve poucas oportunidades para IPOs no País). Você tem um grupo de acionistas lá fora que adora a empresa. Tem fundos na Inglaterra que adorariam investir na Moy Park. Existe muito valor aqui", disse Rial.

Com o dinheiro das captações, a empresa poderá acelerar seu crescimento orgânico e, segundo informações de seu balanço, reduzir ainda mais o seu endividamento. Isso pode ajudá-la a atingir outra meta: sair da sucessão de resultados negativos que enfrenta para finalmente operar no azul. "Estamos trabalhando para sair do prejuízo em 2014. Se vai ser? Não sei", resumiu o executivo.

Esse caminho rumo a um balanço mais saudável começou no ano passado. Um dos principais passos foi a venda da marca de varejo Seara à rival JBS. O negócio não pôs dinheiro novo no caixa da companhia, mas reduziu o endividamento da Marfrig em quase R$ 6 bilhões.

No quarto trimestre, o nível de alavancagem da empresa de alimentos estava em 3 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), em linha com os objetivos definidos anteriormente para o fim do ano.

O executivo classificou o endividamento da companhia como "totalmente administrável" no momento. Ele descartou completamente a possibilidade de venda de novos ativos pela companhia.

Segundo Rial, a companhia registrou, entre outubro e dezembro, o segundo trimestre de resultados consistentes. Ele admitiu, porém, que esses seis meses não são suficientes para restabelecer definitivamente a confiança do investidor.

Apesar dos avanços sobre resultados anteriores, a empresa fechou o último trimestre do ano passado no vermelho, com prejuízo de R$ 83,4 milhões, queda de 57% em relação ao segundo trimestre e de 70% sobre o balanço do quarto trimestre de 2012. O resultado, divulgado na noite de domingo, ficou acima da expectativa da maioria das corretoras e bancos de investimento.

Após a abertura da BM&FBovespa, ontem, os papéis da Marfrig chegaram a subir 1,76%, cotados a R$ 4,05, mas acabaram fechando em baixa de 2,76%, a R$ 3,87. A alta volatilidade porcentual do papel é parcialmente explicada por seu baixo valor.

Mercados. Rial disse ver fortes chances de reabertura das importações de carne bovina brasileira pela China e da abertura do mercado americano ao produto neste ano. (Com Reuters)

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