Marfrig leva ativos do Grupo Osi por US$ 680 milhões

Empresa praticamente dobra seu faturamento ao comprar 15 fábricas no Brasil e em países da Europa

Tatiana Freitas, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 00h00

O frigorífico Marfrig, um dos maiores processadores de carne do País, anunciou ontem a compra de ativos do grupo americano OSI no Brasil e em países da Europa. Maior fornecedor de carne para o McDonald?s, o OSI vendeu para o Marfrig 15 unidades de processamento de aves e outros animais, por US$ 680 milhões.Desse total, US$ 400 milhões serão pagos em dinheiro e US$ 280 milhões em ações ordinárias da Marfrig. O negócio poderá envolver mais US$ 220 milhões, dependendo do desempenho das unidades européias. A expectativa é que a operação seja concluída no segundo semestre, após análise pelos órgãos de regulação de mercado. Com a compra das empresas do grupo OSI no Brasil e na Europa, o Marfrig estima um aumento de US$ 2 bilhões (R$ 3,24 bilhões) na receita líquida anual. Esse valor representa quase a totalidade do faturamento registrado pelo grupo no ano passado, de R$ 3,34 bilhões.O Marfrig fez várias aquisições nos últimos meses, mas a compra dos ativos do OSI é o negócio mais importante feito pelo grupo. Com as fábricas do OSI, o Marfrig dobra de tamanho, e aumenta sua presença em alimentos industrializados, processamento de aves e avança no mercado europeu. "A aquisição é coerente com a estratégia da companhia, que reforça a sua posição em outras áreas na produção de proteína animal e nos produtos industrializados", afirma um analista do setor de alimentos que prefere não se identificar.No Brasil, as empresas do grupo OSI compradas pelo Marfrig são a Braslo Produtos de Carnes, importante fornecedor de redes de fast-food; a Penasul Alimentos, produtora de industrializados e frangos, dona da marca Pena Branca no Sul do País; e a Agrofrango, de abate de frangos. Na Europa, o Marfrig comprará o grupo Moy Park, da Irlanda do Norte, que abastece redes como McDonald?s e KFC.O mercado reagiu com cautela ao anúncio, por não ter detalhes de como será feita a operação. Ao final do primeiro trimestre, o Marfrig tinha R$ 1 bilhão em caixa, que poderia ser usado para pagar os US$ 400 milhões em dinheiro. Parte do caixa, porém, está comprometida com planos de investimento.O diretor de Relações com Investidores do Marfrig, Ricardo Florence, descartou recorrer a empréstimos bancários. Ele afirmou que a companhia estuda uma oferta de ações para ajudar no pagamento dos US$ 400 milhões . "Quando concluirmos a operação, vamos decidir qual alternativa adotar. Mas todas as operações que estão sendo estudadas envolvem operações com ações."Questionado sobre uma possível participação do BNDES no aumento de capital, Florence afirmou que a empresa está aberta "para todas as alternativas possíveis". Ele disse, porém, que ainda não iniciou conversas com o banco.

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