Marfrig negocia a compra da Seara, do grupo Cargill

Aquisição estaria dentro da estratégia do grupo de diversificar atuação em alimentos

Marili Ribeiro e Alexandre Inácio, O Estadao de S.Paulo

12 de setembro de 2009 | 00h00

O frigorífico Marfrig negocia a compra da Seara Alimentos, que pertence à americana Cargill. A Seara é a segunda maior empresa de frangos do Brasil, atrás apenas da BRF Brasil Foods. Segundo fontes, o negócio estaria na fase da análise dos números. De acordo com notícia veiculada pelo portal da revista Exame, o negócio estaria avaliado em cerca de US$ 600 milhões. Procuradas, a Marfrig negou as negociações e a Cargill informou apenas que não comenta rumores.

Segundo especialistas, uma eventual compra da Seara se encaixaria no novo perfil que a Marfrig vem procurando, de se tornar uma empresa de alimentos mais completa. O grupo já fez este ano uma aquisição nesse sentido: em junho, entrou no segmento de perus, com a aquisição dessa divisão da Doux Frangosul, um negócio de R$ 65 milhões.

A empresa, tradicionalmente identificada com o setor bovino, vem investindo ainda na ampliação da sua área de suínos. Também em junho, anunciou um investimento de R$ 150 milhões para a construção de um complexo produtivo em Mato Grosso, que terá uma fábrica para abate e processamento, com capacidade para abater 3 mil cabeças por dia, e uma unidade para produção de ração. O complexo deve ficar pronto no ano que vem.

Além disso, a empresa já afirmou recentemente que está acelerando sua entrada na área de alimentos, para tentar ganhar mercado da BRF Brasil Foods, empresa surgida da fusão entre Perdigão e Sadia. Segundo a Marfrig, os próprios supermercados estariam estimulando a empresa nesse sentido, pois temem ficar totalmente nas mãos da BRF.

SAÍDA

De acordo com um empresário que acompanha de perto o setor, quando a Cargill comprou a Seara, em 2005, estava preocupada em ter uma base expandida para atender seus clientes globais, como a rede McDonald"s, e não tinha muito interesse no mercado interno. No atual cenário, com as dificuldades lá fora, o negócio começou a perder sentido para o grupo. "Eles compraram um Boeing para fazer viagens entre Cumbica e Viracopos", brinca ele.

A dúvida é se a Marfrig, que ainda negocia uma fusão com a rival Bertin e também não equacionou completamente o seu endividamento, teria caixa para a aquisição. Uma das hipóteses é que o grupo teria apoio de fundos de investimento para fechar o negócio.

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