Margem de frigorífico é a menor desde 2011 com alta do boi, diz Scot

A margem de lucro dos frigoríficos caiu para 10,1 por cento, ao menor nível desde março de 2011, devido à alta do preço da arroba do boi em meio à baixa oferta de animais prontos para abate, apontou nesta terça-feira relatório da Scot Consultoria.

REUTERS

21 de outubro de 2014 | 17h54

O indicador Equivalente Scot Carcaça --que considera a diferença entre a receita obtida pelo frigorífico com a venda de carne com osso, couro, sebo, miúdos, subprodutos e derivados, em relação ao preço pago pela arroba-- caiu dez pontos percentuais ante o nível registrado em agosto, disse a Scot.

A média histórica do indicador, levantado desde 2007, é de 15,8 por cento.

Os preços da arroba do boi gordo no Estado de São Paulo estão próximos de uma máxima histórica em um momento de escassez de animais para abate, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O Indicador Esalq/BM&FBovespa, que apura os preços à vista e serve de referência para o mercado, atingiu 134,26 reais/arroba na segunda-feira, novo recorde nominal, em uma alta diária de 0,4 por cento.

O preço atual já se aproxima do valor recorde em termos reais (considerando correção da inflação pelo IGP-DI), de 134,94 reais, observado em novembro de 2010, segundo o Cepea.

Segundo a Scot, a cotação do boi gordo subiu 16,5 por cento desde o início do ano, com a seca afetando a recuperação das pastagens e consequentemente a engorda dos animais criados em pasto --o sistema de produção predominante no Brasil.

"Boa parte desta valorização ocorreu de agosto para cá, com a retração expressiva da oferta de boiadas de pasto", afirmou a Scot.

De acordo com a consultoria, "há dificuldade na aquisição de bovinos e este cenário tem guiado mais os preços do boi gordo do que o consumo de carne bovina".

A Scot ressaltou que o brasileiro está consumindo menos carne em função da alta de preços do produto.

E, com isso, de agosto para cá o mercado atacadista "tem patinado", com os frigoríficos conseguindo repassar apenas 1,6 por cento de alta.

(Por Roberto Samora)

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