Margem pequena para desvalorização

CENÁRIO: João Villaverde

O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2013 | 02h06

A equipe econômica olha com lupa a evolução do déficit nas transações correntes. De corte desenvolvimentista, a maior parte dos economistas hoje no governo federal defendia, ao longo do governo Fernando Henrique (1995-2002), uma desvalorização da taxa de câmbio - para eles, o rápido avanço do déficit (que chegou a 4,3% do PIB em 1998) poderia ser corrigido por meio de uma depreciação do real, que imediatamente aumentaria a entrada de dólares via balança comercial e, assim, reduziria o rombo das contas externas.

Aquele período é lembrado hoje em Brasília, à luz do que ocorre, novamente, nas transações correntes. O déficit caminha para o patamar de 3% do PIB, o que já ligou o sinal amarelo na área econômica. É consenso no governo que uma desvalorização adicional do real seria a saída perfeita - reduziria o rombo externo e ainda traria maior competitividade à indústria de transformação.

Mas, segundo uma fonte da equipe econômica, as condições hoje são "muito distintas". O próprio governo reconhece, internamente, que a forte desvalorização do real que ocorreu em 2012 - quando o dólar saiu de cerca de R$ 1,70 para até R$ 2,13, em novembro, teve efeito inflacionário, ao encarecer as importações. Desde o início deste ano, o dólar estava praticamente fixo no patamar de R$ 2,00. "Não há grande margem para uma desvalorização adicional do real, ainda que isso fosse o ideal", diz a fonte.

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