Marina e a terceira via

Candidata do Partido Verde não quer nem o continuísmo da política econômica do governo atual nem o que chamou de 'voluntarismo' de José Serra

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2010 | 00h00

A candidata Marina Silva (PV) aposta em uma terceira via - nem o continuísmo de uma política econômica que embute perigos a médio prazo, nem o que chama de "voluntarismo" do candidato José Serra. "Serra acha que com voluntarismo monetário e cambial, com golpes rápidos, se resolve a situação", disse ao Estado Eduardo Giannetti da Fonseca, principal assessor econômico de Marina. "Já com Dilma, vemos um avanço de um estatismo e dirigismo na economia, o governo criando estatais de seguros, telefonia, e os bancos estatais promovendo uma marcha forçada de crescimento - já conhecemos o fim dessa história, que é inflação e crise de balanço de pagamentos." Na campanha de Marina, Giannetti e Paulo Sandroni são os principais conselheiros econômicos.

Giannetti discorda dos tucanos em relação à natureza do problema dos juros altos. "Juros são sintoma, não são causa do nosso problema", diz Giannetti. Serra já fez críticas duras contra o Banco Central e questionou sua autonomia. "O Banco Central não é a Santa Sé", disse o tucano, questionando a autonomia do BC, em entrevista à CBN . Para Giannetti, "juro alto não é sadismo nem barbeiragem do Banco Central". E o assessor de Marina afasta qualquer possibilidade de mudança na autonomia operacional do Banco Central.

O maior problema para a competitividade das exportações brasileiras, segundo Giannetti, é o custo Brasil e não a valorização do câmbio. "É reduzindo o custo Brasil que vamos resolver esse problema, não é com administração de câmbio."

Giannetti vê complacência na atual política econômica. "O Brasil já passou várias vezes por essa visão enganosa, de achar que é uma ilha de prosperidade em um mar turbulento - JK e milagre econômico do regime militar foram momentos em que se acreditou que o País havia encontrado o segredo da prosperidade duradoura", diz o economista. "O grande risco disso é a complacência, achar que, porque os ventos estão soprando a favor, podemos deixar o barco correr."

Os dois candidatos de oposição manifestam preocupação sobre o aumento dos gastos correntes. "A política econômica precisa diminuir a drenagem de recursos para financiar os gastos correntes", diz Giannetti. "A arrecadação aumentou, houve queda no serviço dos juros da dívida pública, mas todo esse aumento de caixa está sendo usado para financiar gastos correntes crescentes."

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