ALEX SILVA/ESTADAO
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Marina Silva defende controle dos combustíveis, mas critica excessos

Candidata à presidência também afirmou que proposta apresentada por Temer comprometeu o debate sobre reforma da Previdência

Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2018 | 03h21

A pré-candidata à Presidência pela Rede, Marina Silva, defendeu que o governo deve adotar medidas para controlar o preço dos combustíveis e evitar um impacto tão grande no bolso dos brasileiros. Nesta segunda-feira, 21, os caminhoneiros paralisaram diversas rodovias em protesto contra o avanço no preço do diesel. A categoria pede isenção tributária sobre o combustível.

Durante entrevista para o Band Eleições, transmitida na madrugada desta terça-feira, 22, a líder da Rede argumentou que o aumento do dólar contribui para o salto dos combustíveis. "Mas eu acho que tem uma margem de manejo dessa situação em função de uma parte desses derivados ser produzida aqui", disse. "Não temos uma economia que depende da importação de todos os produtos, como em alguns países", acrescentou.

Questionada sobre as intervenções feitas durante governos petistas nos preços dos combustíveis, que levaram a Petrobrás a uma grave crise financeira, Marina disse que a história não deve se repetir. "Eu acho que a gente não pode voltar em hipótese alguma à forma de controlar preço de forma artificial."

Marina Silva disse também não considerar "legítimo" e "democrático" o processo eleitoral da Venezuela. "Não é mais uma democracia. Uma parte da oposição teve de ir embora. Outra parte está presa. Uma eleição altamente controlada." O Brasil, assim como outros países, condenou o processo eleitoral e a vitória de Nicolás Maduro. A votação ocorreu no domingo passado, em meio a diversas denúncias de irregularidades por parte da oposição.

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Marina afirmou, entretanto, que um eventual governo seu não apostaria em sanções contra os venezuelanos. "Quem sofre com sanção é o povo", disse, defendendo saídas por vias diplomáticas para solucionar a crise no País. 

Reforma da Previdência

Marina Silva também afirmou que a proposta apresentada pelo governo Temer acabou comprometendo o debate sobre a reforma da Previdência. "(A proposta trazia) uma série de injustiças que o governo, de uma forma oportunista e para se sustentar, (queria implementar) e foi comprometendo esse debate".

Ela defendeu que a reforma da Previdência é fundamental para a economia do País, mas fez duras críticas à forma como o governo federal tocou o projeto. "Não se pode fazer a reforma sem combater privilégios", disse, criticando também a necessidade de contribuição de até 49 anos para se ter o benefício integral, como previa a reforma.

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A pré-candidata defendeu ajustes nas contas do governo, que deve "gastar menos do que arrecada", mas disse ser contra o projeto do teto dos gastos, aprovado pelo governo de Michel Temer. Segundo Marina, ajustes na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) seriam suficientes. "Você vai congelar por 20 anos os gastos com segurança na situação que estamos?", argumentou. Questionada se iria revogar o teto, entretanto, ela desconversou. "(O teto dos gastos) é um debate que tem de ser feito. Estamos debatendo com nossa equipe econômica."

Ainda sobre economia, Marina disse que vai defender o tripé macroeconômico, mas sinalizou que o câmbio, apesar de flutuante, terá algum controle para evitar oscilações muito grandes. 

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