Marinho encabeça chapa para sucessão da CUT

A corrente majoritária da Central Única dos Trabalhadores (CUT),a Articulação Sindical, responsável por 60% dos membros da entidade, decidiu, em reunião realizada ontem, lançar a chapa encabeçada pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, para a sucessão da central, a ser definida em junho.A decisão foi anunciada, hoje, em entrevista coletiva na Capital.O atual presidente da entidade, João Felício, que está no comando desde o ano de 2000, ocupa na chapa o posto de secretário-geral e o presidente do Sindicado dos Bancários, João Vaccari, atual tesoureiro, ocupa na chapa a secretaria de Relações Internacionais. A próxima presidência comandará a CUT no triênio 2003/2006.A proposta será discutida pelas delegacias regionais até junho, quando será realizado o congresso nacional da CUT, entre os dias 3 e 7. Neste período, os demais componentes da chapa, num total de 32 nomes, deverão ser definidos. De acordo com Felício, haverá uma renovação grande da executiva da central. A intenção da Articulação Sindical é atrair o apoio de outras correntes e obter um consenso, o que não garante que não apareçam novas chapas concorrentes. Na história da entidade, apenas em 1994 houve chapa única. "Sempre tivemos debates internos", garantiu.A CUT representa 3.319 sindicatos e 21 milhões trabalhadores, sendo 7,5 milhões sindicalizados, o que significa 34% da base. No congresso nacional, devem estar presentes delegados de cerca de 1.300 sindicatos (só podem participar as entidades com as contribuições regularizadas). Felício avalia que a conjuntura atual é um momento de oportunidades para a central e favorável para a mudança na estrutura sindical brasileira, em razão da abertura de um novo diálogo com o governo. "Queremos construir um amplo processo de entendimento e , por isso, esperamos ter uma chapa o mais representativa possível." O momento, argumenta ele, será importante para que também a CUT se qualifique e aprimore, diante do maior espaço que deve ter. O sindicalista negou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha interferido na decisão da corrente de escolher Marinho para a presidência, uma vez que os três nomes estavam sendo cogitados pelo cargo. Segundo ele, a central sempre teve autonomia e a decisão foi tomada unicamente por eles. Segundo João Vaccari, o fator determinante é a tendência de transformação que está caracterizando também a CUT. Exemplo disso tem sido a redução do tempo no cargo dos dirigentes. João Felício por exemplo está saindo após apenas três anos. Já Vicente Paul o da Silva, o Vicentinho, ficou seis anos (entre 1994 a 2000) e Jair Meneghelli, 11 anos (1983 a 1994).

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.