André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Marinho reúne-se com bancada do PSL para apresentar proposta da reforma da Previdência

Reuniões com demais partidos integram estratégia do governo para explicar as mudanças

Eduardo Rodrigues, Nayara Figueiredo e Gregory Prudenciano, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2019 | 14h51

BRASÍLIA - O líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), disse nesta quinta-feira, 21, que o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, fez  uma apresentação à bancada do PSL na Câmara e no Senado para explicar eventuais dúvidas que os parlamentares tenham sobre a proposta de reforma da Previdência. Segundo ele, na semana que vem, haverá apresentações semelhantes a outros partidos.

"Viemos aqui para essa apresentação sobre as linhas gerais da proposta. Sabemos que não dá tempo de explicar tudo, mas vamos tirar as principais dúvidas dos parlamentares", disse o líder ao chegar ao chegar ao Ministério da Economia.

Segundo ele, na próxima terça-feira, 26, será a vez de Marinho ir ao Congresso para fazer apresentações às bancadas do PSDB e do PR. "O governo tem muitos argumentos e há um consenso na sociedade sobre a necessidade da reforma. Isso não quer dizer que a proposta será aprovada da forma como foi apresentada. Com certeza, a proposta será aperfeiçoada durante a tramitação", acrescentou.

Perguntado sobre a pressão de parlamentares para liberação de emendas e para a ocupação de cargos regionais, o líder respondeu que as emendas são prerrogativas previstas na Constituição. Sobre os cargos regionais, ele lembrou que a Controladoria Geral da União (CGU) estabelecerá os critérios para a ocupação desses postos. "Indicação política por si não é algo nefasto. Vamos aguardar o decreto com os critérios", respondeu.

O senador Major Olímpio (PSL-SP) afirmou ao Estadão/Broadcast que Marinho vai agendar os demais encontros com as bancadas. "Eu mesmo confesso que tenho dúvidas sobre o projeto porque são muitas as variáveis. Estou estudando e tenho que me tornar alguém com plenas condições de defender a aprovação e dirimir as dúvidas da sociedade", disse.

Segundo ele, a capacidade de argumentação e a sensibilização da sociedade serão as "maiores armas" para que a reforma seja aprovada. "Quando você não tem mais o enquadramento dos partidos no modelo da chamada 'velha política', com a distribuição de cargos e emendas, tem que buscar um a um", afirma.

Questionado sobre a posição dos deputados do Centrão, na Câmara, que já se mostraram mais reticentes ao Planalto, o senador disse que existem, sim, parlamentares e partidos que aguardam "sinalizações" do governo antes de declararem apoio à pauta. "Não dá para dizer o que será conversado, condicionado, qual será o limite da negociação", afirmou.

Marinho defende que reforma ataca privilégios

Nesta quinta-feira, Rogério Marinho ainda usou sua conta no Twitter para defender a reforma da Previdência. "Na #NovaPrevidência, todos vão contribuir. O rico vai se aposentar na mesma idade do pobre. E quem ganha menos pagará menos", escreveu o secretário.

 

Marinho tem enfatizado que a reforma tem um caráter mais justo que o sistema atual, por propor regras iguais para funcionários públicos, privados e também políticos. Mais cedo, em entrevista à rádio CBN, criticou "corporações" que se opõem ao projeto apresentado pelo governo nesta quarta-feira, 20, ao Congresso. "As corporações constroem narrativas para preservar o status quo atual. A quem interessa a manutenção dessa estrutura onde poucos ganham tanto e tantos ganham tão pouco? A nova Previdência demonstra de forma cabal o que são esses privilégios e ataca no cerne esse processo", defendeu Marinho.

Ainda no Twitter, o secretário voltou a ressaltar que "as novas regras impactarão a camada privilegiada, que ganha mais e se aposenta mais cedo".

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