Mario Draghi defende em Berlim medidas criticadas por alemães

Presidente do BCE disse em conferência que maior risco para a estabilidade 'não é a ação, mas a falta dela'

BERLIM, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 03h17

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, fez uma vigorosa defesa ONTEM dos planos de compra de títulos do banco para uma cética audiência alemã, e afirmou que agora cabe aos governos complementar essas medidas com as próprias ações políticas.

Falando em uma conferência da Federação das Indústrias Alemãs (BDI) em Berlim, Draghi descreveu o plano do BCE, apresentado neste mês, como uma "ponte" em vez de uma solução para a crise de três de anos que assombra o bloco monetário.

Ele alertou os líderes da zona do euro contra a complacência, afirmando que eles precisam aproveitar a melhora do sentimento provocada pelo BCE para avançar com reformas e uma integração mais próxima.

"A atual melhora no sentimento não significa que tudo está resolvido", disse Draghi em seu primeiro discurso político na Alemanha desde que seu plano, chamado de Transações Monetárias Diretas, provocou uma série de críticas no país.

O plano de compra de títulos de Draghi teve a oposição do influente Bundesbank, banco central alemão. Seu presidente, Jens Weidmann, sugeriu que as medidas representam uma violação do mandato do BCE para garantir a estabilidade de preços.

O presidente do BCE afirmou que tem um "enorme respeito" pelo Bundesbank e deixou claro que ele e seus colegas no Conselho Administrativo do BCE compartilham várias de suas preocupações. As divergências, disse ele, estão em como responder.

"Nas atuais circunstâncias, o maior risco para a estabilidade não é a ação, mas a falta dela. É por isso que o BCE agiu", disse Draghi. / REUTERS

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