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Mario Torós deixa BC e Aldo Mendes é indicado para vaga

Saída teria sido motivada pelo fato que o presidente Henrique Meirelles pode deixar o cargo em 2010

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

16 de novembro de 2009 | 19h53

O Banco Central confirmou na noite desta segunda-feira, 16, que o diretor de Política Monetária, Mário Torós, deixou o cargo. Segundo nota divulgada, ele deixou a instituição "a pedido" e "por motivos pessoais". A intenção de deixar o banco já havia sido declarada internamente há alguns meses e sua saída foi acelerada nos últimos dias após entrevista publicada na sexta-feira, 13, pelo jornal Valor Econômico. Quem assumirá o posto deixado vago por Toró será Aldo Luiz Mendes, que era vice-presidente do Banco do Brasil e sua indicação pelo BC será agora enviada ao presidente Lula.

 

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O desejo de Torós sair da instituição, dizem fontes, surgiu principalmente após os sinais de que o presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles, pode deixar o cargo até março de 2010 para, eventualmente, disputar as eleições.

 

A saída de Torós acontece poucos dias após a publicação de uma polêmica entrevista concedida pelo, agora, ex-diretor ao jornal Valor. Na sexta-feira passada, dia 13, ele informou que no auge da tensão causada pela crise, o Brasil viveu uma corrida bancária e, em poucos dias, R$ 40 bilhões migraram dos pequenos e médios bancos para as grandes instituições. Também disse que o Banco do Brasil soube por um diretor do BC que o Banco Votorantim estava com a saúde financeira fragilizada.

 

Normalmente avesso à imprensa e cauteloso com as palavras, Torós detalhou ao jornal a reação do governo brasileiro à crise e divulgou dados que eram guardados a sete chaves. As declarações de Torós causaram surpresa no BC porque o diretor é discreto e não tem declarações polêmicas no histórico. Houve também desconforto porque o diretor teria divulgado fatos que não poderiam ser levados ao público, como a troca de emails com o presidente da instituição, Henrique Meirelles.

 

No mercado financeiro, ficou a percepção que o diretor usou a entrevista como um "balanço" de sua gestão e como forma de mostrar sua importância no processo de enfrentamento da crise. Para pessoas de dentro do BC, "vender" essa imagem é importante em um momento de busca por uma posição para retornar à iniciativa privada.

 

Em Brasília, há expectativa de que a saída de Torós pode ser a primeira de uma série. Além do próprio presidente Meirelles que pode deixar o cargo em março para disputar as eleições do próximo ano, os diretores de política econômica, Mário Mesquita, e de liquidações, Gustavo do Vale, também teriam intenção de deixar o BC brevemente.

 

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