Marisa encerra operação de vendas diretas

No prejuízo e com abertura de novas lojas paralisada, varejista busca preservar seu caixa

O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2015 | 02h04

A operação de venda direta da varejista de confecção Lojas Marisa foi fechada depois de pouco mais de dois anos do anúncio do projeto.

Apesar de a empresa dizer em seu último balanço que os canais alternativos vinham crescendo acima de 10%, ao passo que as lojas físicas perdiam vendas, a decisão pelo encerramento do projeto de catálogos porta a porta foi tomada para preservar o caixa do negócio. Isso porque o projeto ainda estava em fase de investimento.

Segundo informações repassadas ao mercado, a companhia já tinha queimado o equivalente a R$ 16 milhões em caixa apenas com as vendas diretas no primeiro semestre de 2015. Em todo o ano de 2014, foram R$ 24 milhões de perdas.

Resultados. Conhecida pela venda de produtos de baixo custo para as classes C e D, a Marisa tem apresentado resultados inferiores aos de suas principais concorrentes. Enquanto a Renner ainda apresenta indicadores financeiros sólidos e a Riachuelo parou de crescer, a empresa sofre com o resultado negativo de vendas e, ao contrário das concorrentes, fechou o primeiro semestre de 2015 no vermelho.

Apesar da melhora em alguns indicadores operacionais - como a redução da "queima" de caixa -, a Marisa teve prejuízo de R$ 25,6 milhões no primeiro semestre. As vendas nas lojas abertas há mais de 12 meses caíram 4,4% de janeiro a junho.

A dívida líquida da Marisa no fim do segundo trimestre era de 2,36 vezes a geração de caixa, medida pelo Ebitda (juros antes de juros, tributos, depreciações e amortizações), a mais alta do varejo têxtil. A dívida da Renner está em 0,4 vez o Ebitda, enquanto a da Guararapes (Riachuelo) soma 1,4 vez. A Cia. Hering tem caixa líquido. A única com patamar de endividamento parecido com o da Marisa é a Restoque, com relação de 2,34 vezes o Ebitda.

Os problemas que a Marisa vive hoje - e que a impedem de dar continuidade a novos projetos - também são fruto de erros de execução de estratégia da companhia, segundo o analista de varejo da Fator Corretora, Guilherme Moura Brasil.

"Em 2013, eles tentaram sofisticar o produto, em um erro de execução. Depois, voltaram para produtos mais básicos", explica o analista.

Depois de um período de forte expansão da rede, a Marisa paralisou seu projeto de expansão. A empresa está fechando algumas lojas da Marisa Lingerie, pois a margem deste negócio revelou-se inferior à oferecida pelas lojas tradicionais da marca.

Procurada pelo Estado, a Marisa não se pronunciou. / FERNANDO SCHELLER e DAYANNE SOUSA

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