Marubeni confirma interesse na Eneva

Mais conhecida como exportadora de grãos, gigante japonesa quer fatia da ex-MPX, de Eike Batista, para crescer em energia no País

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2013 | 02h02

Um dos principais vetores de crescimento da gigante japonesa Marubeni, mais conhecida no Brasil como uma das maiores exportadores de grãos para a Ásia, é o setor de energia. Por aqui, as commodities ainda representam o grosso do faturamento, enquanto lá fora as matérias-primas contribuem só com 40% da receita anual, que superou a marca de US$ 47 bilhões no último ano fiscal. Para corrigir esse descompasso, a Marubeni negocia a compra de uma fatia da Eneva, ex-MPX, que hoje é uma sociedade entre o empresário Eike Batista e a alemã E.ON.

As negociações em relação ao grupo de energia já se arrastam há alguns meses, conforme noticiou o Estado em setembro. Uma fatia de 23,9% do negócio estaria em jogo, segundo informações de mercado. A multinacional alemã, no entanto, teria vetado a entrada de seus principais concorrentes na Eneva, entre eles o grupo francês GDF Suez, que recentemente também anunciou a intenção de crescer fortemente no País.

O presidente da Marubeni para o Brasil e a América do Sul, Yoji Ibuki, confirmou o interesse na empresa de energia criada pelo grupo EBX - que atualmente tem duas empresas em recuperação judicial, a petroleira OGX e a construtora naval OSX - e frisou que as negociações continuam em curso. A operação está sendo considerada pela Marubeni porque a empresa afirma não ter interesse em competir por ativos ofertados dentro do modelo de concessões atual do governo, pois considera os retornos muito baixos. "Acaba sendo melhor deixar o dinheiro no banco", diz Ibuki.

Essa dificuldade em se estabelecer em novos setores acabou criando uma situação atípica na América do Sul, admite o executivo. Segundo Ibuki, a região é importante para a Marubeni, mas o principal mercado não é o Brasil, a principal economia, e sim o Chile. Por lá, a empresa está bem estabelecida com projetos de infraestrutura. "Administramos a terceira maior empresa de água do país", exemplifica. A empresa também mantém no Chile um grande projeto de mineração de cobre.

Commodities. Embora tenha evoluído para uma série de negócios para depender menos das commodities no exterior - no total, são 12 divisões, que incluem também negócios de mineração, transporte e produtos químicos -, por aqui a Marubeni ainda lembra o grupo de décadas atrás. O grupo chegou ao Brasil nos anos 1950, mas mantém uma atuação local ainda focada na agricultura. Ao comprar 100% da Terlogs, em 2011, a companhia passou a administrar o próprio porto em São Francisco do Sul (SC), aumentando significativamente a exportação de grãos.

Em 2011, a empresa exportou 5,3 milhões de toneladas de soja. Neste ano, o volume deve ficar próximo a 10 milhões de toneladas, o que deverá fazer da Marubeni a número um em embarques de soja, à frente de gigantes como Bunge e Cargill. Além do porto catarinense, que já movimentou 4 milhões de toneladas de soja este ano, a empresa também envia soja para o exterior por Santos e Paranaguá, concentrando-se especialmente na negociação da produção paranaense.

Depois da movimentação de grãos, o segundo principal negócio da Marubeni no País é o investimento em plataformas de produção de petróleo para a Petrobrás, em que atua como sócia de outra parceira da estatal brasileira, a também japonesa Modec. A companhia mantém ainda atividades de mineração na Bahia e também é dona da Companhia Iguaçu de Café Solúvel, no Paraná. Com o café produzido no País, a empresa entrou no varejo em alguns mercados - a marca Amigo, por exemplo, é líder na Romênia -, mas a Marubeni considera o potencial do negócio limitado.

Aposta. Para diversificar a presença no Brasil, Ibuki conta que a Marubeni dobrou o número de expatriados do Japão no País nos últimos cinco anos. "Temos 72 expatriados na América Latina, dos quais 31 estão no Brasil", explica o executivo. A missão dos executivos é buscar novos negócios fora do setor de matérias-primas e levar o mercado brasileiro à posição natural de líder na região. "Pelo tamanho da economia, é claro que as grandes oportunidades estão no Brasil, e não no Chile."

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