Dida Sampaio/Estadão
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Marun discorda de Meirelles sobre possibilidade de votar Previdência após as eleições

Ministro da Secretaria de Governo acusa titular da Fazenda de não participar de reuniões sobre o tema e afirma que fala 'não condiz com o pensamento do governo'

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2018 | 18h54

BRASÍLIA  - Escalado como tropa de choque da defesa da reforma da previdência, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, convocou uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, 23, para rebater declarações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de que a reforma poderia ficar para novembro, somente após as eleições.

“O ministro Meirelles não participou das últimas conversas que tivemos aqui. Ele foi para Davos antecipadamente com afazeres intensos. Não participou das últimas reuniões do fim de semana e talvez por isso tenha colocado a sua opinião, seu pensamento. Mas, na verdade, não condiz com o pensamento do governo”, disse Marun. 

Conforme mostrou o Estadão/Broadcast na segunda-feira, 22, em reunião com investidores em Londres, o ministro da Fazenda avisou que a proposta poderia voltar a ser pautada logo após a eleição, caso não seja aprovada no mês que vem. Na entrevista coletiva, porém, Meirelles minimizou suas declarações e afirmou que a expectativa do governo é que a reforma seja discutida em fevereiro. “A expectativa é em fevereiro, e não em novembro”, afirmou. 

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Ao ser questionado se essas declarações estariam atrapalhando as articulações políticas em torno da reforma, Marun fez questão de exaltar a figura do ministro. “O ministro Meirelles tem o desempenho fenomenal no Ministério da Fazenda e o que aconteceu foi isso, ele não participou das últimas reuniões”, disse. 

Marun reiterou que as negociações estão sendo feitas pela área politica do governo e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que toma as decisões em relação a agenda. “Estou aqui para reafirmar de forma peremptória a decisão e a disposição do governo em votar a reforma da previdência ainda no mês de fevereiro e nos dias estabelecidos na agenda proposta por Rodrigo maia. Ou seja votação nos dias 19, 20 e 21,  iniciando a discussão em 4 e 5 de fevereiro”, afirmou. 

O ministro mostrou resistência ao ser questionado sobre quantos votos o governo tem atualmente e se há realmente a disposição de colocar a matéria em votação mesmo que para perder, como já defendem nos bastidores alguns líderes e aliados do presidente Michel Temer. Marun disse que “se assusta com possíveis posições derrotistas” dentro do governo e reiterou que a votação em fevereiro é para ganhar. “Temos convicção de que teremos votos”, disse. 

Diante da insistência da imprensa para um placar atual transparente, Marun fez uma analogia com o déficit de R$ 268 bilhões divulgados na segunda-feira pelo governo e disse que os números atualmente estariam neste patamar, indicando que faltam 40 votos. “Temos uma sinergia entre o déficit e o numero de votos. Para bom entendedor meia palavra basta”, afirmou. 

Além disso, Marun também usou o déficit da previdência para ressaltar a importância de se aprovar a matéria. “Temos 268 bilhões de novos motivos para colocar em votação a reforma da Previdência”, disse.

O ministro disse que não há plano B e rechaçou qualquer possibilidade de a matéria ser aprovada apenas em novembro. “Não há plano B. Temos que ser realistas. A possibilidade de aprovar em novembro é mais fácil o sargento Garcia prender o zorro do que votar a reforma em novembro. É impossível”, declarou.

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Em um tom otimista que lhe é peculiar, Marun repetiu que tem a “mais absoluta confiança que teremos os votos para aprovar a reforma em fevereiro”. “Eu vou dançar de alegria”, disse, ao ser questionado se em caso de derrota ele “dançaria” e perderia o cargo. Marun, durante a tramitação das denúncias contra Temer na Câmara, foi flagrado dançando e celebrando o fato de a denúncia ter ido adiante.

Polêmica. Ao comentar o afastamento de vice-presidentes da Caixa, Carlos Marun afirmou que as indicações políticas são compreendidas pelos partidos que indicaram, mas dão "um gostinho amargo".

"Existe uma compreensão dos partidos em relação ao que está sendo feito, mas fica esse gostinho amargo de que, no momento em que a Caixa tem o melhor resultado, se demoniza os vices até pelo fato da indicação política", afirmou. "É como time ganhar campeonato mundial e no outro dia demitir técnico, goleiro, centroavante e zagueiro".

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Na semana passada, foram afastados os vice-presidentes Antônio Carlos Ferreira (Corporativo), Deusdina dos Reis Pereira (Fundos de Governo e Loterias), José Henrique Marques da Cruz (Clientes, Negócios e Transformação Digital) e Roberto Derziê de Sant'Anna (Governo). Eles são acusados de vazamento de informações privilegiadas para políticos sobre o andamento de pedidos de empréstimos e também de negociar cargo em uma estatal como moeda de troca para liberação de crédito.

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