Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Marun diz acreditar que a Petrobrás vai reavaliar política de preço

'O Brasil é o grande mercado e é a essência da existência da Petrobrás', afirma o ministro

Cristian Favaro e João Paulo Nucci, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2018 | 02h13

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou acreditar que a Petrobrás vai reavaliar a política de preços dos combustíveis. "Eu entendo... Eu, Marun, que entendo muito pouco de economia... que a Petrobrás vai reavaliar (a política de preços). Porque a Petrobrás existe no Brasil. Ela vende no Brasil. Ela explora petróleo no Brasil, pode até ter essas invenções de Pasadena... Mas o Brasil é o grande mercado e é a essência da existência da Petrobrás", disse o ministro, durante entrevista ao programa Canal Livre, da Band, na madrugada desta segunda-feira, 4. "Não adianta a Petrobrás dizer que eu sou uma grande empresa eficiente, só que eu não sirvo para o meu consumidor", acrescentou.

Marun, no entanto, foi evasivo ao responder o que a estatal deverá de fato fazer em relação ao assunto. "É absurdo um governo exigir, como exigiu no governo Dilma, que a Petrobrás tenha prejuízo numa política eleitoreira", disse. Ao mesmo tempo, acredita o ministro, "a Petrobrás pode assumir alguns riscos" - atitude que considera ser "a essência do capitalismo".

Depois de ser intensamente questionado pelos entrevistadores sobre a política de preços, Marun disse que o "governo não vai interferir" na estatal. Em outro momento, porém, afirmou que a política de reajustes diários dos preços dos combustíveis não é "compatível com o mercado brasileiro".

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Questionado sobre o motivo da saída de Pedro Parente do comando na estatal, na sexta-feira, 1, apesar de o governo garantir que a política de preços será mantida, Marun desconversou e negou que o governo tivesse sido pressionado por agentes políticos para retirar o executivo do cargo. Em outro momento da entrevista, o ministro afirmou que não entende do mercado de combustíveis, o que o impediria de se aprofundar no tema.

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Questionado se o governo não foi incoerente ao aprovar a política de preços da Petrobrás e, para encerrar a greve, ter reduzido e congelado o valor do diesel por 60 dias, Marun disse que a mudança de cenário exigiu uma nova postura. "A elevação de dólar e petróleo fez com que a política se tornasse incompatível ao Brasil", disse. Marun ainda afirmou que "combustível não é chocolate, que um dia você come um e no outro come outro", em referência à ausência de alternativas por parte do consumidor.

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Caminhoneiros. O ministro disse não acreditar em novas paralisações dos caminhoneiros, diante do fato de que boa parte das reivindicações da categoria foi atendida. "As informações que nós temos é de que existem alguns líderes que estão tentando fazer com que o movimento volte com intensidade. Nossa avaliação é de que isso não vai acontecer", disse, em referência às manifestações convocadas para esta segunda-feira, 4, em Brasília.

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