Marvel/Divulgação
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Marvel, agora, quer conquistar as meninas

Famosa por super-heróis, empresa lançará série voltada a garotas; desafio é dar passos em direção à diversidade

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2018 | 07h53

A gigante do entretenimento Marvel, famosa por super-heróis como Homem-Aranha, Capitão América e Homem de Ferro, está se preparando para ampliar seus domínios: o novo alvo é o público feminino. No segundo semestre, a empresa deverá lançar globalmente a série Rising: Secret Warriors, voltada a meninas de 7 a 12 anos. O objetivo é oferecer histórias que tenham apelo a uma audiência que não para de crescer - cerca de 45% dos ingressos dos filmes da Marvel já são vendidos a meninas e mulheres. O objetivo, agora, é servir melhor uma audiência que ainda se vê pouco representada nos conteúdos produzidos até o momento.

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Presente no início de abril no Rio2C (Rio Creative Conference), evento voltado ao setor de criatividade, o vice-presidente de animação e conteúdos para a família da Marvel, Cort Lane, afirmou que já está provado que as meninas se interessam por super-heróis. No entanto, o universo predominantemente masculino dos quadrinhos nunca se dedicou a fundo sobre o que elas desejam ver em uma série de animação com super-heróis. "Nas pesquisas que realizamos, ficou claro que as meninas querem histórias realmente femininas, com conflitos reais. Não adianta só fazer uma versão feminina de um personagem masculino."

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Por isso, em Rising, todos os personagens são originais. O público feminino também está interessado em histórias que envolvam aspectos multiculturais. Embora as protagonistas da série sejam americanas, suas origens variam. Uma heroína é latina, enquanto outra é de religião muçulmana. Por fim, aspectos como diversidade física e senso de humor também serão abordados. A partir dessa orientação, foi criada a Garota Esquilo, que serve tanto ao propósito de mostrar pessoas de diferentes tipos de corpo quanto à função de injetar humor às narrativas.

Há dez anos na Marvel, Lane tem experiência prévia em produtos voltados às meninas. Antes de se juntar ao universo dos super-heróis, ele trabalhava para a fabricante de brinquedos Mattel. Uma de suas funções na companhia era desenvolver conteúdos, como desenhos animados e filmes, para a boneca Barbie.

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Ao trocar a Mattel pela Marvel, Lane inverteu sua forma de trabalhar: em vez de trabalhar para criar conteúdo para vender um brinquedo, passou a desenvolver histórias que podem incluir a promoção de algum produto. "Na Marvel, os parceiros comerciais não participam diretamente da criação do roteiro, apenas se encaixam nele", explica. "Se a sugestão do parceiro faz sentido, tudo bem. Se não faz, é descartada." Ele cita o exemplo de uma fabricante de brinquedos que queria que o Hulk usasse um bumerangue. "Simplesmente dissemos não."

Diversidade. Dar passos em direção à diversidade, no entanto, nem sempre é fácil, diz Lane. A experiência de Pantera Negra, que recentemente se tornou o filme de super-herói mais visto da história, com arrecadação global de mais de US$ 1,3 bilhão, foi um produto de difícil venda para as empresa de produtos de consumo. No Rio2C, o executivo disse que houve receio das companhias sobre o potencial de sucesso comercial dos personagens negros. Esse temor, no entanto, revelou-se um grande erro difícil de ser consertado, pois o desenvolvimento de produtos é um processo longo e é difícil "correr" para chegar ao varejo só após o lançamento do filme.

Uma terceira frente de expansão da Marvel, além da busca pelo público feminino e do crescimento da representação racial em seus conteúdos, se concentra nas crianças em idade pré-escolar. As Aventuras dos Super-heróis Marvel usa versões diminutas de personagens como Homem-Aranha para contar histórias de três minutos e meio de duração. A série, que está entrando em sua segunda temporada, é exibida tanto em canais a cabo da Disney quanto no YouTube, que, segundo o executivo, se tornou um vetor importante de distribuição de conteúdos à nova geração.

Streaming. A Marvel, de acordo com Lane, também organiza neste momento como dividirá suas produções em diferentes serviços de streaming. A maior parte dos conteúdos de animação será concentrada na nova plataforma a ser lançada pela Disney - que, no momento, também está em processo de fusão global com a Fox. Já as séries para adultos, pelo menos por enquanto, deverão continuar a ser exibidas por meio do acordo que a Marvel firmou com a Netflix.

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