Domínio público/Pixabay
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Massa salarial cresce R$ 5 bilhões em um ano

Volume total subiu pela retomada das contratações, mas renda média do trabalhador encolheu 0,5%

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2017 | 22h35

A massa de salários em circulação na economia cresceu quase R$ 5 bilhões em um ano por causa do aumento no número de pessoas trabalhando. Os dados constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE.

O total da renda alcançou R$ 186,7 bilhões no trimestre encerrado em agosto. O maior volume de recursos no País pode ajudar num círculo virtuoso em que a alta do consumo estimularia a contratação de novos funcionários para atender à nova demanda, dizem economistas.

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“Isso é fundamental para a expansão da economia. Se conseguirmos manter esse aumento na população ocupada de forma a contrabalançar reajustes salariais menores, teremos uma boa ajuda do consumo das famílias no Produto Interno Bruto, na recuperação da atividade econômica”, disse a pesquisadora Maria Andreia Lameiras, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

No trimestre encerrado em agosto, a massa de rendimentos cresceu 2,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Tendências Consultoria Integrada acredita que os próximos resultados não devem apresentar forte desaceleração. O recente aumento da população ocupada deve contribuir positivamente para novos avanços. Compensaria a redução no crescimento real dos salários.

“A continuidade da expansão da massa de rendimentos continuará beneficiando a retomada gradual do consumo das famílias neste e no próximo ano”, disse Thiago Xavier, analista da Tendências.

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“Esse é o motor que vai segurar o crescimento do PIB nos próximos meses. O investimento vai voltar a crescer, mas lá em 2018, porque tem muita capacidade instalada ociosa ainda”, disse José Márcio Camargo, economista-chefe da Opus Investimentos.

Informalidade. Com a aceleração no ritmo de contratações, a massa de salários cresceu R$ 1,696 bilhão em apenas um trimestre. Foi uma alta de 0,9% em relação ao trimestre encerrado em maio. A renda média do trabalhador encolheu 0,5%, para R$ 2.105.

Os dois movimentos, porém, foram considerados estatisticamente estáveis pelo IBGE. Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do instituto, a entrada de trabalhadores no mercado via informalidade, com renda mais baixa, compensa o aumento no número de funcionários no setor público, que paga salários mais altos. 

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Na avaliação da consultoria Rosenberg Associados, a recuperação do mercado de trabalho é mais rápida do que se estimava. Não há, porém, perspectivas de pressões da renda sobre a inflação. “A taxa de desocupação ainda é elevada, com uma grande população desempregada, então ainda tem um grande espaço de recuperação do mercado de trabalho antes que pressione a inflação”, afirmou Leonardo França Costa, economista da Rosenberg.

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