Matérias-primas ficam mais caras

Bens duráveis - geladeiras, fogões, TVs e aparelhos de som-, ficaram de 2% a 4% mais caros nas vendas da indústria para o comércio em agosto por causa de pressões nos custos de matérias-primas, como plástico, alumínio e aço, e também pela escassez de componentes.Apesar do aumento já estar sendo repassado para o consumidor, a venda dos produtos não recuou e a demanda se mantém firme, sustentada pelos prazos mais longos do crediário e por juros menores, tornando os reajustes praticamente imperceptíveis para os compradores.Os preços da linha branca da fábrica para o comércio aumentaram de 2% a 4%, segundo o diretor da Lojas Cem, Natale Dalla Vecchia. Ele conta que os reajustes foram feitos por todos os fabricantes e que o repasse para o consumidor não afetou os negócios. "A venda a prazo diluiu os aumentos", diz. Um sinal de que a demanda está aquecida é que a rede repetiu, em agosto, o faturamento de julho, quando normalmente é esperada uma queda de 5%. No acumulado do ano até agosto, o crescimento na receita foi de 25% em relação a igual período de 1999. Para Vecchia, que esperava um acréscimo de 10%, as vendas estão surpreendendo. Imagem e somA história se repete na linha de imagem e som. De acordo com fontes do mercado, esse segmento de produtos teve um reajuste de preço da indústria para o comércio de 3% em agosto e, mesmo assim, acumula defasagem de custo em relação ao preço, desde junho, de 10%. A diferença deverá ser repassada nos próximos meses com o aquecimento da demanda de fim de ano.Os plásticos usados nos gabinetes dos aparelhos de imagem e som subiram, por exemplo, de 12% a 15% desde junho por causa do aumento do petróleo. O tubo de imagem importado para TV de tela grande subiu entre 8% e 12% em dólar no mesmo período, enquanto que o custo do cinescópio nacional teve reajuste de 7% a 10%. Há também pressões de custos provenientes dos fretes, da energia elétrica e dos componentes de alumínio, que subiram cerca de 10% desde junho, impulsionados pelo alta do metal. Esses percentuais de aumento levam em conta a escassez de componentes importados da Ásia, provocada pela explosão da venda de celulares que usam parte dos mesmos insumos. A escassez de componentes, por exemplo, fez com que três grandes fabricantes de televisores deixassem de vender 200 mil aparelhos entre os meses de junho e agosto - um forte indicador de que a procura está aquecida nas lojas.Embora as indústrias não tenham se pronunciado sobre os reajustes, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroletrônicos (Eletros), Paulo Saab, diz que os fabricantes estão renegociando preços com o varejo. "Só não sei dizer o percentual de aumento", destaca, explicando que, com a alta dos plásticos, do aço e dos componentes, os preços dos eletroeletrônicos ficaram defasados em relação aos custos.AlumínioOs componentes que levam alumínio são apontados, entre outros, como foco de pressão de custos. O diretor da Latina S/A, José Paulo Coli, empresa fabricante de tanquinhos e centrífugas de roupas, conta que os fornecedores estão reivindicando reajustes nos componentes elétricos, motores, eletrobombas e eletroválvulas. Eles dizem que os aumentos decorrem da alta do aço, do alumínio e do cobre.No caso do alumínio, o preço da tonelada foi negociada ontem na Bolsa de Londres (LME) a US$ 1,578 mil, sendo que a média de agosto foi de US$ 1,528 mil para pagamento à vista. "A tendência é de recuperação do preço do metal", diz o diretor de Vendas da Companhia Brasileira do Alumínio (CBA), Luiz Carlos Loureiro Filho. Ele explica que os analistas esperam que o preço da toneladas do metal atinja US$ 1,6 mil no mercado internacional. O aumento do custo da energia elétrica nos Estados Unidos fez com as indústrias cortassem a produção do alumínio, fator que está puxando os preços para cima.

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