Nilton Fukuda / Estadão
Nilton Fukuda / Estadão

Matérias-primas importadas encarecem três vezes mais que as nacionais

Com déficit comercial recorde no semestre, setor químico sente efeitos da recuperação americana

Cley Scholz, do Economia & Negócios,

10 de julho de 2013 | 15h40

SÃO PAULO - Os preços dos produtos químicos importados subiram três vezes mais que os dos similares nacionais nos últimos seis meses. Dois motivos explicam a tendência: a recuperação da economia americana e o fim da Guerra dos Portos, que eliminou os incentivos aos importadores.

Segundo balanço da indústria química nacional, os produtos importados tiveram reajuste de 11,59% em reais no semestre, enquanto os produtos nacionais subiram 4,32%. "A melhora da economia americana e o fim de subsídios da Guerra dos Portos estão mudando o mercado", afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo.

O setor  encerrou o primeiro semestre com um déficit recorde de US$ 14,9 bilhões, 13,4% superior ao do primeiro semestre do ano passado. Enquanto as importações aumentaram 13,4% de janeiro a junho, as importações caíram 5,1%. O Brasil importou US$ 22 bilhões em produtos químicos no semestre, e só conseguiu exportar US$ 7 bilhões.

Um dos fatores que pesou no déficit recorde da balança setorial foi o aumento das importações de fertilizantes. "Esse é o lado bom da balança, pois significa que o agronegócio está crescendo no Brasil", comenta o presidente da Abiquim. "O lado ruim é que o Brasil continua dependente de fertilizantes importados, embora tenhamos muitos projetos governamentais para ampliar a produção".

Câmbio. Mas o presidente da Abiquim vê sinais positivos no mercado. O primeiro deles é o câmbio, que ficou mais favorável aos exportadores brasileiros com o dólar cotado atualmente em R$ 2,26. "A desvalorização do real frente ao dólar ajuda a compensar o dumping dos produtos chineses", afirma o presidente da Abiquim. "A cotação ideal, para nós, seria de R$ 2,40", afirma.

Outro fator positivo é a recente desoneração do PIS e da Cofins dos produtos químicos de primeira e segunda geração, já em vigor. "O grande problema do setor químico é a falta de competitividade da indústria brasileira em relação aos competidores externos", resume Figueiredo.

Um fator que preocupa a indústria nacional é o barateamento do gás natural nos Estados Unidos, decorrente da exploração do gás de xisto, que está revolucionando o mercado mundial. O gás mais barato nos Estados Unidos deixa os americanos mais competitivos em matérias primas que utilizam o gás como componente básico, como o metanol, o negro de fumo (usado na fabricação de pneus), a amônia e a ureia.

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