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Matriz do Santander lança oferta para comprar ações da subsidiária brasileira

Banco espanhol pretende adquirir todos os papéis em circulação da unidade do Brasil, dando em troca, com um prêmio de 20%; ações da matriz foi divulgada juntamente com resultado da instituição, que registrou queda de 6% no lucro do 1º tri

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2014 | 02h03

Quase cinco anos depois de ter feito uma das maiores ofertas públicas da bolsa de valores de São Paulo, o banco Santander da Espanha está propondo aos acionistas minoritários da instituição no Brasil a recompra dos papéis. Os títulos desvalorizaram tanto desde que foram à mercado que, mesmo oferecendo um prêmio de 20% sobre o valor da ação no fechamento do pregão de segunda-feira, o Santander ainda vai pagar 35% menos do que os investidores desembolsaram no lançamento das ações.

A operação foi divulgada ontem junto com os resultados da instituição. O banco apresentou uma queda no lucro líquido do trimestre, que somou R$ 1,4 bilhão, 6% menos do que no mesmo período do ano anterior. O Santander justificou a queda pelo pagamento de juros sobre o capital no ano passado, que fez a base para cálculo do imposto de renda ser afetada. Antes do imposto, o lucro do banco cresceu 9% neste ano.

Mas a oferta de recompra dos 25% do capital do banco que está no mercado ofuscou qualquer efeito do resultado nos papéis do banco na bolsa ontem. O papel do Santander se valorizou cerca de 16%, quase que a totalidade do prêmio oferecido pelos acionistas espanhóis.

O banco informou que, se todos os minoritários aceitarem a troca (ela não é obrigatória), a operação vai envolver R$ 14 bilhões. Mas não haverá desembolso de dinheiro, pois os minoritários que aceitarem a oferta vão receber em troca ações do Santander da Espanha, que passarão a ser negociadas também no mercado brasileiro. É uma ação que reflete exatamente o papel na Espanha, mas negociada na Bovespa.

O analista Eduardo Nishio, da Brasil Plural, diz que para o banco Santander na Espanha essa é uma operação bastante oportuna pois os papéis do banco estão em suas maiores altas na Europa, enquanto, no Brasil, nas maiores baixas. Em dólar, no último ano, as ações do Santander Espanha subiram 36%, contra uma queda de 20% das ações do banco no País.

Durante teleconferência com jornalistas, o presidente do Santander Brasil, Jesús Zabalza, disse que o capital do banco não será fechado, porque não há expectativa de que todos os acionistas minoritários aceitem a troca. Entre os principais acionistas, está um fundo do Qatar, com mais de 5% do capital do banco. Além disso, administradores e funcionários da instituição também têm outros 0,5%. O restante, 19%, está pulverizado em milhares de acionistas.

Se todos aceitarem, entretanto, a ação do Santander Brasil deixa de existir. Os analistas do Banco do Brasil, por exemplo, esperam uma adesão maciça porque o preço oferecido é maior do que se esperava até o fechamento do ano.

Um analista de bancos diz, entretanto, que os acionistas que aceitarem ter ações do Santander Espanha podem sofrer com falta de liquidez do papel no mercado brasileiro e com menos informação, já que, na sua avaliação, haverá menos cobertura de analistas.

Zabalza disse ainda que o valor da unidade brasileira não está refletido nas ações do Santander Brasil e que o prêmio de 20% oferecido na proposta de troca de ações feita aos acionistas minoritários é um benefício. Alguns gestores de fundos de investimentos dizem que, de fato, no curto prazo é um benefício, principalmente para quem comprou o papel em período mais recente.

Mas esses gestores, que não quiseram se identificar , criticam o fato de o banco não ter entregue os resultados que prometeu quando fez sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em outubro de 2009.

Nos últimos dois anos, principalmente, os resultados do banco têm decepcionado com o lucro caindo por diversos trimestres. O banco enfrentou uma forte inadimplência, como outras instituições, mas demorou mais a se recuperar. O vice-presidente de relações institucionais, Marcos Madureira, diz que justamente por isso o banco vislumbra que seus resultados serão muito melhores do que a expectativa e que ao recomprar os 25% do banco que estão no mercado vão permitir que a instituição no Brasil se aproprie de todo o lucro dos próximos anos.

Crédito. Em sua principal atividade, a concessão de crédito, o primeiro trimestre foi de retração para o Santander. A carteira ficou 1,6% menor do que o saldo registrado em dezembro do ano passado. Os números foram afetados em função da carteira de crédito consignado do banco. O produto está sendo reestruturado e o banco reduziu sua venda em canais externos até que seja implementada uma estrutura de distribuição.

No trimestre, a redução foi de quase 7% e, em 12 meses, a queda na modalidade, que tem sido a mola propulsora do crédito pessoa física nos concorrentes, caiu quase 15%.

Outro segmento que retraiu fortemente no trimestre foi o de pequenas e médias empresas - queda de 5,5%. "Contração do crédito nesse segmento é consequência do efeito sazonal e reflexo dos novos padrões de crédito adotados no ano passado", disse Carlos Galán, vice-presidente de finanças. Segundo ele, o Santander espera a retomada do ritmo do crédito nos próximos trimestres. A inadimplência, medida por atrasos acima de 90 dias, teve leve alta de 0,1 ponto porcentual no primeiro trimestre, para 3,8%, efeito do aumento de atrasos de pessoas jurídicas./ COLABORARAM CYNTHIA DEOCLEDT E ALINE BRONZATI

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